terça-feira, 15 de março de 2011

A ANEDOTA das anedotas

Esta é a ANEDOTA em que se transformou o País do Sócrates:

-Um empregador para despedir um trabalhador que o agrediu precisa de uma sentença judicial que demora 5 anos a sair.

-Na escola um professor é agredido por um aluno. O professor nada pode fazer, porque a sua progressão na carreira está dependente da nota que dá ao seu aluno.

-Um jovem de 18 anos recebe 200€ do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236€ depois de toda uma vida de trabalho.

-Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.

-O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.

-O Estado que queria gastar 6 mil milhões de euros no novo Aeroporto da Ota recusa-se a baixar impostos porque não tem dinheiro.

-Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2 000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.

-Numa empreitada pública, os trabalhadores são todos imigrantes ilegais, que recebem abaixo do salário mínimo e o Estado não fiscaliza. Num café, o proprietário vê o seu estabelecimento ser encerrado só porque não tinha um autocolante a dizer que é proibido fumar.

-Um cão ataca uma criança e o Governo diz que "vai" fazer uma lei.

-O IVA de um preservativo é 5%. O IVA de uma cadeirinha de automóvel, obrigatória para quem tem filhos até aos 12 anos, assim como o das fraldas descartáveis, é 21%.

-Numa entrevista à televisão, o Primeiro-Ministro define a Política como "A Arte de aprender a viver com a decepção".

-Apanhado em flagrante num assalto um polícia bate no criminoso que por acaso é negro, é logo considerado uma atitude racista. Um bando de negros mata 3 polícias, não estão inseridos na sociedade.

- Um clube de futebol desce de divisão por subornar árbitros, outro clube pelas mesmas circunstancias é lhe retirado apenas 6 pontos.

- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados, no Fórum Montijo o WC da Pizza Hut fica a 100mts, nem tem local para lavar mãos.

- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).

- O ministério do ambiente incentiva o uso de meios alternativos ao combustível, no edifício do ministério do ambiente não há estacionamento para bicicletas, nem se sabe de nenhum ministro que utiliza a bicicleta.

- Nas prisões é distribuído gratuitamente seringas por causa do HIV, mas como entra droga nas prisões?

- No exame final de 12º ano se és apanhado a copiar chumbas o ano, o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por faxe e é engenheiro.

- Um jovem de 14 mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal, um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga é violência doméstica.

- Uma família a quem uma casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme podem. Seis presos que mataram e violaram idosos numa sela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e a associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.

- Militares que combateram em África a mando do governo da época não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE.

- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem, não pagas às finanças a tempo e horas passado um dia já estás a pagar juros.

- Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal, constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos pões a trabalhar contigo num ofício respeitável, é exploração do trabalho infantil. Se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe.

- O primeiro-ministro diz que o serviço de saúde com as medidas tomadas está mais prático e eficiente, não há registo de na última década alguém ter visto, ministro, esposa ou enteados nos SAP´s.

- Sai uma lei que proíbe o tabaco em áreas fechadas para não contaminar o ar dos outros e o PM fuma nos voos em que desloca em "serviço"

- ETC

-ERA BOM QUE FOSSE O FIM..., MAS A ANEDOTA CONTINUA! E DURA..., E DURA...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Poesia de António Aleixo para Quartafeirense ler

Vós que lá do vosso Império   
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um Mundo novo a sério



Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a Razão mesmo vencida,
não deixa de ser Razão

Uma mosca sem valor
Poisa c'o a mesma alegria
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria.

P'ra mentira ser segura
e atingir profundidade
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.

Julgando um dever cumprir,
Sem descer no meu critério,
Digo verdades a rir
Aos que me mentem a sério!

Há luta por mil doutrinas.
Se querem que o mundo ande,
Façam das mil pequeninas
Uma só doutrina grande.

Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer o que são,
são aquilo que eu pareço. 

Sem que discurso eu pedisse,
ele falou, e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
do que disse não gostei. 

O mundo só pode ser
melhor do que até aqui,
quando consigas fazer
mais p'los outros que por tí!
 


Veste bem, já reparaste?
mas ele próprio ignora
que, por dentro, é um contraste
com o que mostra por fora.

Eu não sei porque razão
certos homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer.
  

Nas quadras que a gente vê,
quase sempre o mais bonito
está guardado pr'a quem lê
o que lá não está escrito.
  

Vemos gente bem vestida,
No aspecto desassombrada;
São tudo ilusões da vida,
Tudo é miséria dourada.

Os novos que se envaidecem
Pelo muito que querem ser
São frutos bons que apodrecem
Mal começam a nascer.
  

Para triunfar depressa
cala contigo o que vejas
finge que não te interessa
aquilo que mais desejas.

Os que bons conselhos dão
ás vezes fazem-me rir
por ver que eles mesmos, são
incapazes de os seguir.

Eu não tenho vistas largas
Nem grande sabedoria
Mas dão-me as horas amargas
Lições de Filosofia.

Quem nada tem, nada come;
E ao pé de quem tem de comer,
Se alguém disser que tem fome,
Comete um crime, sem querer.

A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa com jeito.

Mentiu com habilidade,
fez quantas mentiras quis,
Agora fala verdade,
ninguém crê no que ele diz.

Embora os meus olhos sejam,
os mais pequenos do Mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

É fácil a qualquer cão
Tirar cordeiros da relva.
Tirar a presa ao leão
É difícil nesta selva.

Quando os Homens se convençam
Que à força nada se faz,
Serão felizes os que pensam
Num mundo de amor e paz.


Tu, que tanto prometeste
enquanto nada podias,
hoje que podes -- esqueceste
tudo o que prometias... 

O meu merceeiro é um santo
e há quem diga que ele é mau!
Digo-lhe só: -- dou mais tanto,
já me arranja bacalhau.

Não sou esperto nem bruto
Nem bem nem mal educado;
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado.

Quem me vê dirá: não presta,
nem mesmo quando lhe fale,
porque ninguém traz na testa
o selo de quanto vale. 

Muito contra o meu desejo,
sem lhe querer dizer porquê,
finjo sempre que não vejo
quem finge que me não vê...

Diz que viver é sofrer ...
concordo. Mas não compreendo
que ninguem ouse dizer
que se aprende sofrendo.


À guerra não ligues meia,
Porque alguns grandes da terra,
Vendo a guerra em terra alheia,
Não querem que acabe a guerra.

Se os homens chegam a ver
Por que razão se consomem,
O homem deixa de ser
O lobo do outro homem.


Por que a vida me empurrou
caí na lama, e então...
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são.

domingo, 13 de março de 2011

O Santordia

Quem um dia nasceu e foi criança na Quarta-Feira, sabe certamente aquilo que significa a palavra “Santordia”, que em criança pronunciou vezes sem conta.
Esta palavra deriva da expressão latina “Santorum Die” que significa Dia dos Santos, mas na nossa aldeia, está inevitavelmente associado à infância, à magia e à nostalgia dos tempos de criança.
O “Santordia” consiste precisamente numa tradição já muito antiga em que as crianças da Quarta-Feira no Dia de Todos os Santos, se juntam de manhã bem cedo, para percorrer toda a aldeia de porta em porta, gritando a uma só voz a palavra “ Santordia” até que à porta de cada casa venha o dono(a) com um saco cheio de coisas doces para satisfazer os desejos da pequenada.
Na noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro era quase sempre uma noite em branco para aqueles que de madrugada, por volta das seis da manhã, queriam estar “ao fundo da quinta” para então começarem a volta que tinha algumas regras, pois os mais crescidos iam na frente e os mais pequeninos tinham que ir alinhados na parte de trás da fila obedecendo  às ordens dos mais velhos.
Na verdade o “Santordia” era uma verdadeira festa e uma alegria para miúdos e graúdos, para os primeiros um dia aguardado sempre com muita ansiedade e para os segundos, uma forma de recordar os seus tempos de criança e de sentir a juventude da aldeia.
Mas hoje o “Santordia” já não é o que era, pois rebuçados, bolachas e chocolates há muitos, mas quem os queira é que parece que não há, pois as cegonhas aqui não têm pousado e de França já não chegam bebés.

segunda-feira, 7 de março de 2011






































Fotos


Balanço do evento "O Pão da Nossa Aldeia"

Tudo começou no Sábado, por volta das 15 horas. A azáfama era grande, enquanto alguns homens foram aquecendo o forno, as mulheres amassavam e preparavam a farinha para pão, bolos e pizzas. Por volta das 17 horas a “padaria” começou a sua laboração. Dentro das quatro paredes do forno o clima era de verdadeira festa e o calor que se fazia sentir lá dentro contrastava com o frio e a chuva que, na rua, ia caindo e que constituiu um “condimento” essencial para uma verdadeira noitada no forno. Foram muitos aqueles que marcaram presença e que contribuíram para o reviver de uma forma de vida de outros tempos. Foi de facto um momento de puro convívio que não é descritível por palavras e que só quem lá esteve pode testemunhar o quão divertido foi, pois enquanto o pão ia cozendo, foram-se bebendo uns tintos de castas quartafeirenses e recordando velhas histórias, cujo palco foi precisamente este forno que é hoje um edifício emblemático.
Entre conversas e histórias a “padaria” encerrou já era meia noite e no dia seguinte a festa continuou com uma animação ainda maior que não necessita de ser descrita por palavras, por ser bem visível nas fotografias que se seguem.
Esperemos que esta festa tenha continuidade no próximo ano e que os “Guardiões da Lua” grupo de teatro que dinamiza esta actividade continuem a dar corpo a este evento que já é uma referência na freguesia de Sortelha e no concelho de Sabugal.
Parabéns ao João Reis e ao Rui Marques pelo empenho que tiveram na organização do convívio e na Fama do Entrudo e às senhoras da Quarta-Feira que com o seu trabalho na confecção das iguarias fizeram com que este evento fosse um verdadeiro sucesso.

terça-feira, 1 de março de 2011

A electricidade

Será que se podia morar na Quarta-Feira sem electricidade?
Poder até podia mas não era a mesma coisa.
De facto, esta questão é um slogan televisivo mas a Quarta-Feira às escuras foi, durante muitos anos, a realidade desta aldeia.
Até 1976, ano em que a electricidade chegou à nossa aldeia, a única luz possível era a do sol, que em dias de chuva e nevoeiro também não deveria ser muita.
Nos dias de hoje a electricidade é uma condição sine qua non à vida de qualquer ser humano em qualquer parte do planeta, ao que parece, hoje tudo é eléctrico, já só falta mesmo as pessoas também o serem, ou talvez já nem isso, pois muitos já dizem que quando bebem café ficam eléctricos.
A verdade é que na Quarta-Feira viveu-se muito tempo sem electricidade e quem lá viveu sem ela, provavelmente, naquela altura, até pensaria que não era necessária e que seria mais um luxo do que propriamente uma necessidade.
Nos dias de hoje já não há, felizmente, aldeias sem electricidade e isso já é uma comodidade perfeitamente banal, no entanto o que é paradoxal é o facto de a Quarta-Feira e a maioria das aldeias da nossa região não terem, apesar destas grandes evoluções, o povoamento de outros tempos, pois antigamente não havia “luz” mas havia gente e hoje há “luz” mas não há gente.
Por vezes dá que pensar e impõe-se a questão “ Será que as nossas aldeias voltariam a ter gente se houvesse um apagão ?”

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Poema dedicado à Quarta-Feira


    T
U       R        A
Q      A                   F   E   I  R  A
                                              
Como decidir o que fazer do olhar?
Que obsessão esta com as expressões primevas
de tempos lá longe de nós
Cenários descronológicos
encurralados neste presente evasivo
fora do passado e do futuro?

Miradouros de fascínios
de voos do espírito e doutros desígnios
Abdicaríamos de mãos nesse permeio
por penas de enleio?
Miradas, planícies há-as até perfeitas
entre certinhas e desfeitas
compostas com um rio andante
caminheiro de vida, tresandante

É sina da montanha
ser só uma a almejada
razões de tabu de antanha
da nossa alma aprisionada
Balista de vislumbres e de gravidade
larga rampa de pedras e olhares
pedestal da minha visibilidade
e dos meus sonhares…

Tantos vales (cada vale, vale cada pensamento
inexplicado, inesperado, inaudito, valem os três )
Maravilhosos encaixes abruptos, equilíbrios graciosos
entre a gravidade fraca mas muita
e o Sol motriz
num processo húmido de permeio…


Schiu! Silêncio, aprecia, é a Quarta-feira!


Nota:  Escrito e  enviado por Carlos José Maria

domingo, 27 de fevereiro de 2011

António Clemente. Um dos grandes acordeonistas da Quarta-Feira


Desde há muito tempo que a Quarta-Feira é conhecida como sendo a terra dos tocadores, tendo, António Clemente ocupado o lugar de topo relativamente aos saberes musicais.
Por volta dos anos 30 do século passado foi emigrante em França como tantos outros desta localidade e foi aí que além de tocador se tornou também compositor de várias obras musicais de entre as quais se destaca a “Marcha Paris/Lisboa”.
Pensa-se que a sua veia artística terá sido complementada com estudos feitos numa escola parisiense, cujas aprendizagens trouxe no seu regresso à sua terra natal por altura da segunda guerra mundial.
As suas qualidades enquanto acordeonista foram de tal forma invulgares que ainda hoje quando alguém desta aldeia passa por algumas terras ainda distantes e por algum motivo cita o nome da Quarta-Feira, é muito vulgar ouvir-se como resposta: “Essa era a terra do Clemente”. Tal expressão ouvida várias vezes e em muitas terras, revela bem o quão importante foi a sua fama como acordeonista.
Conta-se que na sua época, tendo havido na cidade da Guarda um concurso de acordeonistas de vários pontos do país, também ele se inscreveu para poder participar. No referido dia do concurso, tendo chegado já um pouco atrasado e vestido à moda dos pastores desta região com uns “safões” que são umas calças de pastor feitas com pele de borrego, já o não queriam deixar actuar.
No entanto, alguém do júri proferiu a seguinte frase: “Deixem lá tocar o pastor”, tendo feito de seguida a sua actuação.
Foi tal a mestria com que interpretou um número do seu vasto repertório que deixou toda a assistência de “boca aberta” especialmente o júri que decidiu por unanimidade atribuir-lhe o primeiro prémio desse concurso.
Finalmente, quando lhe pediram para voltar a tocar o mesmo tema e por lhe terem chamado “O pastor” ele terá respondido “O pastor não pode tocar mais porque tem que ir embora para deitar as ovelhas fora do bardo”.l

Obs: Esta informação foi-me citada por José Joaquim da Costa que a ouviu a um velho barbeiro da cidade da Guarda de nome Casimiro quando soube que o seu cliente do momento era da Quarta-Feira.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A alambicada do "Ti Manuel Antunes"

Fazer água ardente à moda antiga já é uma tarefa pouco habitual na Quarta-Feira, no entanto ainda vai havendo quem se dedique a tal actividade que já pode ser considerada de outros tempos.
Antigamente, fazer água ardente era uma actividade comum, pois os antigos não se preocupavam com excessos de álcool ou com os seus malefícios e todos tinham um certo brio em ter “cachaça” quanto mais forte melhor para,  nos dias frios, andarem mais quentes e para, quando as situações se proporcionassem, oferecer aos amigos.
Seria também com esses propósitos que um dia o “Ti Manuel Antunes” que morava em frente à casa do Ti Luís Cunha, fez a sua água ardente, mas ao que parece e se conta na Quarta-Feira, “levou para tabaco”, isto é, levou uma lição que nunca mais deve ter esquecido.
O “Ti Manuel Antunes” estava tranquilamente a fazer a água ardente, quando, por obra do acaso se lhe juntaram à volta da sua alquitarra, os rapazes da época, que por tradição se juntavam nas noites em que alguém tinha o lume aceso e a água ardente a correr para o garrafão.
O que de facto aconteceu e ficou para a história da Quarta-Feira foi a particularidade de os rapazes irem provando e conversando até que o coitado do “TI Manuel Antunes” acabou de fazer a alambicada e não ficou mesmo com nada, pois os ditos rapazes beberam-lhe toda a água ardente.
 A titulo de curiosidade, o “ Ti Manuel Antunes” era casado com Conceição Baptista, foi um casal da Quarta-Feira que, segundo se conta, teve “só” 19 filhos e nenhum sobreviveu.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A Quarta-Feira e os trocadilhos

Será que alguém da nossa aldeia, quando confrontado com a simples e habitual pergunta “De onde é ? ou Qual é a sua terra ?” nunca sentiu a ousadia de dizer outro nome que não Quarta-Feira, como por exemplo Sortelha ou Sabugal, com receio de ser mal entendido e correr o risco de ser confrontado com a expressão: desculpe mas o senhor/a não percebeu, pois só lhe pergunto de onde é e não o dia da semana.
Certamente, esta situação já sucedeu com a maioria dos Quarta-Feirenses que de certeza têm orgulho em dizer o verdadeiro nome da terra que um dia os viu nascer.
Contudo, ainda existe a possibilidade e a tentação da má língua dizer que a Quarta-Feira não vem no mapa, mas para esses podemos dizer que então procurem no calendário que facilmente encontrarão o nome da aldeia mais falada de Portugal, que é única e que afinal até à Quarta-Feira tem o Carnaval.

A Estrada da Quarta-Feira

Corriam os anos de 83/84 do século passado, quando alguém entendeu ser necessário um acesso que fosse de encontro às necessidades do povo da Quarta-Feira. Pois, até então, para se chegar a esta localidade era necessário fazer uso de estradas que só mesmo quem tivesse absoluta necessidade estaria disposto a percorrer.
Foi realmente, uma mais valia para a Quarta-Feira a construção desta estrada, que se fosse hoje dificilmente seria construída, pois o “simplex” parece que só o é de nome, de resto é tudo muito “complicadex” e cada vez que se pensa em dar início a uma obra desta envergadura, desde que se projecta até passar por todas as autorizações e fases de construção, até ficar concluída, vai uma grande distância e por vezes passam-se meses e anos e nada aparece como é o caso da famosa ligação do Sabugal à A23.
A verdade é que a estrada da Quarta-Feira aproximou esta localidade da sede de concelho, da capital de distrito e tornou a Quarta-Feira num ponto estratégico de passagem privilegiado para a beira baixa, tornando a Quarta-Feira uma aldeia mais conhecida e com mais movimento.
Pois bem, a “ Estrada Nova” como ainda hoje é, por alguns denominada, foi para esta terra uma grande vantagem, que se fosse hoje, quem sabe se não teria também portagem.  

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A resposta da câmara após tomar conhecimento da mensagem do blog sobre a paragem de autocarro

Serviços Municipais de Protecção Civil da Câmara Municipal do Sabugal

Sendo objectivo fundamental de actuação dos Serviços Municipais de Protecção Civil a prevenção de riscos colectivos e a ocorrência de acidentes graves ou de catástrofes deles resultantes e conforme o previsto no artigo n.º 5 da Lei nº 27/2006,de 3 de Julho.
Vem por este meio a Serviços Municipais de Protecção Civil da Câmara Municipal do Sabugal informar vossa excelência que após deslocação ao local verificamos a degradação do imóvel o qual é proprietária a junta de freguesia de Sortelha a qual será notificada para intervir no imóvel o mais rapidamente possível de maneira a minimizar os riscos existente para pessoas e bens.
Conforme o previsto no artigo n.º 7 da Lei nº 65/2007,de 12 de Novembro “As juntas de freguesia têm o dever de colaborar com os serviços municipais de protecção civil, prestando toda a ajuda que lhes for solicitada, no âmbito das suas atribuições e competências, próprias ou delegadas.”
Junto envio fotografias da paragem tiradas dia 21-02-2011 ás 15 horas

Sem mais de momento

Alberto José Lavrador Barata, Eng.
  
  

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Arrematação das Janeiras

No Sábado dia 19 de Fevereiro a Quarta-Feira, arrematou em hasta pública as Janeiras de 2011. O povo juntou-se à saída da missa e a tradição voltou a cumprir-se. Entre chouriças e outras caisas havia um cabrito vivo, que alguém ofereceu. As chouriças por serem muitas foram adquiridas a meias por duas pessoas. Haja chouriças que quem as compre vai sempre havendo.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Joaquim Firmino Gomes não deixa as matanças cair no esquecimento

No Sábado dia 19 de Fevereiro, Joaquim Gomes fez cumprir a tradição da matança.
Juntou alguns familiares e amigos e o bicho não ficou vivo. Esta é a prova que a Quarta-Feira não deixou perder os seus costumes que ao longo de várias gerações foram sendo transmitidos.
Parabéns ao Joaquim e que continue por muitos anos a dar seguimento a este acontecimento que já começa a ser uma verdadeira raridade.


O moinho do Chão Novo

O moinho do Chão Novo, mais não é que o reavivar de uma das tradições mais emblemáticas, que é a moagem do trigo, do centeio ou do milho com recurso à força da água.
O Moinho do Chão Novo data de 1899 e foi recuperado no ano de 1997, encontrando-se até então num avançado estado de degradação, tendo sido apenas aproveitado parte das paredes e a mó de pedra.
Com o aparecimento das moagens industriais, estes moinhos deixaram de ser utilizados e, com o tempo, ficaram degradados e muitos acabaram por cair
A Quarta-Feira, é pois uma das poucas localidades da nossa região a ter um moinho recuperado, moinho este que noutros tempos, com certeza, foi muito importante e útil a muitos habitantes desta aldeia.
Que mais não seja um moinho recuperado é sempre uma forma de as gerações mais novas terem uma noção e valorizarem um pouco o trabalho do campo e artesanal de outros tempos, em que as fábricas industriais ainda estavam longe de aparecer.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Entrudo na Quarta-Feira

A quadra carnavalesca, foi em tempos que já lá vão, uma imagem de marca da Quarta-Feira, pois havia nesta localidade uma verdadeira tradição de carnaval.
Segundo contam as pessoas com mais idade, a Quarta-Feira era uma aldeia de referência, no concelho de Sabugal, na comemoração desta quadra festiva, pois no dia de carnaval todos os caminhos vinham dar à Quarta-Feira, sendo muitos aqueles que, de terras vizinhas, vinham até à nossa aldeia à procura de diversão ou então para darem largas à sua imaginação com os seus disfarces carnavalescos.
Para além de um baile e muitos Entrudos, havia uma atracção principal que era a Fama do Entrudo que ainda hoje se realiza. A Fama é nada mais, nada menos que uma sátira carnavalesca que consiste precisamente em ridicularizar certas “passagens” da aldeia, principalmente das raparigas e também dos habitantes em geral, tendo sempre por base a imaginação, porque, na maioria das vezes, os factos ali narrados nunca aconteceram e nada têm a ver com a realidade.
Na Quarta-Feira, o carnaval tinha uma tal expressão que os rapazes começavam a “vestir-se de Entrudo”  quase com um mês de antecedência do dia de carnaval, sendo uma das suas principais diversões tentar assustar ou “meter medo” aos mais pequenos, para quem os Entrudos são uma espécie de figuras fantásticas e temidas, pois as suas vestes e máscaras eram sempre muito medonhas e para os adultos uma verdadeira incógnita na tentativa de descobrir quem se esconde por trás de tão insólita forma de trajar.
Quanto às iguarias de carnaval, também elas são bem típicas na Quarta-Feira, sendo prato obrigatório, as orelhas, o focinho e as patas de porco cozido.
O carnaval da Quarta-Feira é na verdade, uma tradição da qual a maioria dos habitantes guarda boas recordações  e que este povo deve manter viva, não a deixando cair no esquecimento.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

As Janeiras Na Quarta-Feira


As Janeiras, é uma tradição portuguesa que, em Portugal, se comemora, com algumas diferenças de região para região, mas sempre tendo por base o mesmo motivo que é anunciar o nascimento de Jesus e pedir aos residentes as sobras Natalícias.
Também na Quarta-Feira esse costume é ainda hoje vivido com entusiasmo pelos seus habitantes, embora já não seja comemorado como outrora, em que todos as famílias matavam o porco e tinham sempre uma morcela ou chouriça para dar. Hoje, em virtude de a matança já ser um fenómeno um pouco raro, a maioria das pessoas opta por dar dinheiro. As receitas obtidas com esta tradição vão servir, no caso da Quarta-Feira, como contributo para a festa da aldeia em honra de Nossa Senhora do Desterro, que se realiza de 3 em 3 anos no mês de Agosto, para que aqueles que estão longe possam estar presentes.
A última festa da Quarta-Feira foi em Agosto de 2010 e a próxima vai ser em Agosto de 2013, cujos mordomos vão ser Loic Gonçalves, Morgane Gonçalves, Lucrécia Reis e Ricardo Costa.
O pedido das Janeiras de 2011 teve lugar no passado Sábado dia 12 de Fevereiro, tendo estado a cargo de André Gonçalves em representação de Loic e Morgane, de Diamantino Costa em representação de seu filho Ricardo e Joaquim José marido de Lucrécia.
Esperemos que a Quarta-Feira continue a ter mordomos para que as festas se continuem a realizar por muitos e muitos anos.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Aos Quarta-Feirenses emigrantes e aos que estão fora cá dentro

É sempre com alegria que a Quarta-Feira recebe, no mês de Agosto, os nossos emigrantes e aqueles que não o sendo, também aproveitam essa época do ano para aqui regressar.
O regresso dos filhos da terra é sempre um motivo de satisfação para aqueles que aqui têm as suas rotinas do dia a dia.
É de facto muito agradável ver a nossa aldeia ganhar outra vida com o reencontro, com o matar de saudades, com as habituais perguntas de como correu a vida, quando é que cá há festa, quem é que já chegou, entre outras que inevitavelmente, todos os anos, fazem parte do “nosso povo”.
Por vezes, é verdade que as circunstâncias da vida nem sempre permitem que todos consigam vir à Quarta-Feira em Agosto ver as suas gentes e matar saudades, mas o que é preciso é não desesperar e deixar perder o espírito Quarta-Feirense, pois outros Agostos virão e a Quarta-Feira cá os espera de braços abertos.
Contudo, para minimizar as saudades, é sempre possível virem à Nossa Quarta-Feira via on-line e ver umas fotos das suas belas paisagens, onde, de certeza, um dia foram muito felizes.

Cumprimentos e abraços para todos os que fazem parte desta Quarta-Feira que não os esquece.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O perigo de esperar o autocarro na Quarta-Feira

Na Quarta-Feira existem duas “cabanas” nas paragens do autocarro e uma delas, a que está junto à pedra das fases da lua, ou seja a que está do lado Norte, encontra-se danificada há já alguns anos, pois as suas paredes estão completamente rachadas e o telhado está danificado. Esta estrutura ficou em mau estado porque, certo dia, um autocarro ao fazer ali uma manobra mal calculada, acabou por bater e danificar o que até então permanecia intacto.
A questão que se coloca é saber até quando a referida “cabana” vai permanecer danificada. Será que é preciso cair em cima de alguém ou terá que ser a natureza, pela força do vento, a derrubar o que resta para, depois então, vir alguém a lamentar o sucedido para se proceder a averiguações e então se mandar arranjar?
Esperemos que não, mas antes que a sua requalificação seja rápida.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Quinta Velha ou Quinta Nova

Todas as localidades, principalmente as de maior dimensão, estão organizadas territorialmente em ruas, largos, pracetas e bairros. A Quarta-Feira, não sendo excepção tem também o nome das suas ruas, como é o caso da Rua Direita, Largo da Escola, Beco do Cabecinho, Rua dos Pessegueiros, entre outros. Mas para além do nome das ruas, a Quarta-Feira tem uma divisão territorial muito anterior, imposta por moradores de outros tempos, que é precisamente a Quinta Velha e a Quinta Nova, sendo uma espécie de bairros distintos, cujo marco de divisão é um pequeno ribeiro, com o nome de Barroca dos Lanchais. A dita Barroca era um local temido pelos mais novos, pois ainda hoje é costume os adultos dizerem aos pequenos, em jeito de brincadeira mas com ar sério, que naquele local está lá a Pita Preta. Talvez essa espécie de lenda tenha uma explicação, mas ao certo não se sabe desde quando ou como nasceu essa expressão que ainda hoje se usa com frequência na Quarta-Feira : “tem cuidado que está lá a Pita Preta”.
Histórias à parte, a verdade é que a Quarta-Feira tem ainda hoje bem vincado um certo bairrismo entre os seus habitantes e por vezes, em conversas de taberna, já este assunto tem sido tema de conversa em que os da Quinta Nova vincam a ideia que é lá que estão os monumentos mais importantes como por exemplo a Escola, a Casa do Povo, o Poço das Heras e os da Quinta Velha contra-atacam, puxando a brasa à sua sardinha, dizendo que é lá que estão os Cafés, a Igreja,, o Forno entre outras coisas.
A verdade é que a Quarta-Feira, deve ter tido a sua origem na Quinta Velha e prolongou-se para a zona onde é hoje a Quinta Nova e as duas são inseparáveis e formam um todo que conferem à Quarta-Feira uma beleza natural, fazendo desta aldeia um lugar único sem igual que,  na opinião de muitos Quarta-Feirenses,  até poderia ser considerada uma das maravilhas de Portugal.  



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A matança do porco na Quarta-Feira

A matança do porco é uma tradição que, embora sem a importância que teve noutros tempos, continua a realizar-se na Quarta-Feira, à semelhança de outras aldeias dos arredores, obedecendo a um certo ritual que já ninguém se lembra da sua origem.
A matança realiza-se principalmente nos meses de Dezembro e Janeiro quando as condições climatéricas são mais adequadas.  Tal como é praticada na Quarta-Feira, a matança é uma festa familiar de encontro e de confraternização que começa com o marcar do dia, isto é, da data em que se vai realizar, pois é necessário informar a família que se quer convidar com alguma antecedência para que esta se possa organizar de forma a poder estar presente.
Chegado o dia do grande acontecimento, “da matança”, os familiares chegam a casa do dono do porco muito cedo para tomarem o pequeno-almoço, onde há um primeiro momento de convívio e se come qualquer coisa para haver força para se poder segurar o “marrano”.
De seguida há uma distribuição de tarefas, que todos já conhecem; os homens vão ao “cortelho”, lugar onde está o porco e com uma corda levam o animal até ao local onde vai ser morto, geralmente é sobre um carro de vacas ou uma espécie de banco de madeira. Depois do animal estar na horizontal, há alguém experiente, que põe em prática toda a sua habilidade e, de uma só vez, espeta a faca no pescoço do bicho enquanto uma mulher vai apanhando o sangue para um alguidar ao mesmo tempo que, com uma colher de pau, o vai mexendo para não coagular. Quando o porco já não mexe e já está morto, então o seu pêlo é chamuscado, antigamente com palha e actualmente com um maçarico, e logo a seguir é lavado com água e raspado com facas e pedras.
Seguidamente o porco é pendurado numa escada com um “chambaril” que é um instrumento em madeira em forma de meia-lua, é aberto, as tripas são-lhe retiradas e mais tarde desmanchado para se colocar na salgadeira ou ma arca frigorifica.
Após estas tarefas segue-se o almoço onde há iguarias típicas das matanças. Depois do almoço, as mulheres vão lavar as tripas para a ribeira e durante o dia fazem vários tipos de enchido.
Quando chega a hora de jantar a família volta a juntar-se e a festa continua. No final do jantar reza-se em família e conversa-se um pouco ao serão em volta da lareira.
A matança tradicional é de facto um fenómeno que está a desaparecer, pois começam a ser poucos aqueles que ainda seguem à risca os rituais que estão por trás desta prática comunitária, em que a família e amigos se encontram e, muitas vezes, revivem acontecimentos e recordam antepassados.