quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Natal Na Quarta-Feira

Das festas do calendário, o Natal é aquela que assume maior significado para as gentes desta terra.
É nesta quadra, à semelhança do que sucede no resto do país, que as famílias se juntam para a festa da consoada na noite de Natal.
 A rapaziada, uma ou duas semanas antes, começa a juntar a lenha para o madeiro que irá arder na noite de Natal, antigamente em carros de bois e atualmente em reboques de tratores. Era costume, a rapaziada sorrateiramente entrar nos currais agarrando algumas giestas e lenha miúda que os donos guardavam nos cobertos ao abrigo da chuva, para melhor atear o madeiro, principalmente quando a noite estava de chuva ou neve.
O madeiro ou mariano como também era conhecido noutros tempos, é composto por troncos enormes e sobretudo grossas raízes de árvores, que foram arrancadas e que pela sua dimensão, não servem para queimar em casa, sendo guardadas para esse fim.
Terminados os trabalhos do madeiro todos recolhem a casa, onde mães e filhas, em grande azáfama, preparam a consoada, confecionando os pratos tradicionais desta aldeia, onde não pode faltar a bela couve cozida com bacalhau, as filhoses, as rabanadas, e o arroz doce, entre outras coisas que irão fazer as delícias de toda a família, nessa noite e no dia de Natal.
Por volta da meia noite, depois da consoada,  as pessoas juntam-se no lugar do madeiro que ultimamente tem sido na Rua da Capela e é posto o fogo àquele grande amontoado de lenha, que não demora em arder em grandes labaredas que atingem vários metros de altura, fazendo afastar toda a gente dada a intensidade do calor que dele irradia.
Junto à fogueira, a rapaziada fica uma boa parte da noite, costumando assar  uns frangos nas brasas do madeiro a acompanhar com um bom garrafão de vinho, o que mantém a alegria até de manhã.
Segundo diziam algumas pessoas mais antigas, era costume os rapazes baterem com uns cacetes nas brasas fazendo subir no ar milhões de “funiscas” ajudando assim a aumentar a alegria da festa.




quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Será um Quartafeirense um beirão igual aos outros ?

Ser Quartafeirense é antes de mais ser descendente de gente que aqui viveu há centenas ou milhares de anos, com mais ou menos dificuldades, resultantes do espaço geográfico em que esta aldeia se insere, no meio de grandes montanhas e com enormes problemas de mobilidade até a estrada ser construída .
Ser Quartafeirense é ter nascido neste vale fértil e deslumbrante com vista para a Estrela geralmente coberta pelo manto branco no meses de inverno e na primavera este vale transforma-se numa explosão de natureza com árvores a desabrochar e o florir.
Ser Quartafeirense é ser de uma terra de emoções, de sensações e tradições em que há uma vasta relação dos cheiros, dos sons, dos sabores, das palavras e das nossas gentes.
Enfim… ser Quartafeirense é um espetáculo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A Ti Clementina e o seu gatinho de estimação

Recordar a ti Clementina é recordar mais um pouco do passado da Quarta-Feira, pois esta mulher que faleceu em 1987 teve uma história de vida algo atribulada e difícil.
Clementina Maria foi casada com Jesuino Gomes e foi mãe de Maria D’ Assunção e de Firmino Gomes.
Dois ou três anos após o seu casamento, o seu marido, à procura de melhor vida, em 1926 partiu para França deixando-a na Quarta-Feira com dois filhos ainda de tenra idade para criar, o que não deve ter sido tarefa fácil.
Já em França o seu marido, a trabalhar numas minas de carvão foi ganhando algum dinheiro, parte do qual ia enviando para a ti Clementina tratar dos filhos.
Entretanto o tempo foi passando e o seu marido apenas veio a Portugal duas vezes, pois com o passar do tempo, com a distância e com a falta de meios de comunicação, a ti Clementina  e o ti Jesuino estiveram cerca de 31 anos sem se verem um ao outro, pois só se voltaram a encontrar em 1957 quando ela tomou a iniciativa de viajar até França e ir ao encontro do marido.
O que é curioso é que a ti Clementina, por indicação de alguém lá foi dar com o sítio onde o seu marido se encontrava, mas a verdade é que quando ela bateu à porta da casa onde ele estava nenhum deles reconheceu o outro, pois passado tanto tempo as feições físicas não seriam exactamente as mesmas de outrora.
Segundo se consta o ti Jesuino que a ti Clementina encontrou em França, na altura com cinquenta e poucos anos tinha um aspecto de uma pessoa completamente envelhecida com nenhuma ou pouca semelhança com o homem com quem um dia ela se havia casado e do qual tinha dois filhos.
Após o reencontro a ti Clementina ficou por lá e viveu cerca de um ano com o seu marido, que devido aos malefícios das minas acabou por morrer ainda bastante novo.

sábado, 10 de dezembro de 2011

A inocência dos meninos da aldeia!!!

José Maria da Costa - Um combatente de outros tempos

Aqui está uma recordação da qual só alguns quartafeirenses terão alguma lembrança. Este homem nasceu em 1894 e faleceu em 28/02/1975.
Para quem não sabe, José Maria da Costa foi pai de Joaquim José ( conhecido por Joaquim Morgado ), Maria Josefa, Belmira de Jesus, Benjamim da Costa, e Manuel Morgado, tendo sido casado com uma senhora chamada Josefa que era da Sobreira.
José Maria da Costa foi um ilustre combatente em França durante a primeira guerra mundial, onde foi vítima de gazes perigosos lançados pelas tropas nazis, pelo que veio a ter direito a uma reforma de mais ou menos 500 escudos pelos danos irreparáveis de que foi alvo.
Além de combatente, este homem foi também um aficionado pela arte equestre, pois tinha sempre a seu cuidado um belo cavalo com os devidos arreios de forma a dar os seus passeios e as suas deslocações do dia a dia, pois com o cavalinho deslocava-se com facilidade a Sortelha, à Bendada, ao Sabugal ou a outro qualquer lugar que necessitasse.
Para ver e recordar aqui fica então um documento que mostra a sua qualidade de soldado reformado.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A Quarta-Feira foi ponto de encontro de antigos mineiros


Hoje, dia 3 de Dezembro a Quarta-Feira foi ponto de encontro de muitos antigos mineiros.
Por volta das 11 horas chegaram dois autocarros com pessoas provenientes de várias localidades, houve uma recepção no salão do auditório da Quarta-Feira ( antiga escola primária ) e ao meio dia na capela da Quarta-Feira foi celebrada uma missa.
Após a missa os antigos mineiros foram almoçar no restaurante o Moinho em Santa Ana D’ Azinha, onde certamente reviveram os tempos difíceis que passaram nas minas.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

As portagens chegam dia 8 de Dezembro

Desta vez parece que é mesmo a sério, as portagens vão mesmo ser uma realidade na A23 e A25, no entanto para quem tem residência por estas bandas está isento das primeiras dez viagens de cada mês, tendo para isso de se dirigir a uma estação de correios, comprar o chip da Via Verde e pedir a discriminação positiva.
Para os Quartafeirenses que estão lá longe e que possam comprovar que têm aqui uma morada ( através de uma carta da EDP ou outra qualquer ), também podem pedir a isenção, pois a morada do contrato da Via Verde não tem que ser obrigatoriamente a que consta no documento único ou no registo de propriedade do veículo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Natal Na Quarta-Feira

Por altura do Natal, as cidades quase se transformam, pois as ruas ficam enfeitadas repletas de luzes e árvores de Natal e os centros comerciais ficam cheios de gente na azáfama das compras, enfim, é o stress e a agitação no seu melhor.
Aqui  na nossa Quarta-Feira, bem no fundo deste mimoso vale a tranquilidade faz a diferença das grandes cidades, pois este ar frio, a geada da madrugada juntamente com as chaminés das casas a deitar fumo refletem bem o frio do inverno rigoroso que por esta altura é típico desta aldeia, o que faz com que aqui o Natal seja vivido num espírito muito próprio, o espírito natalício associado a uma tradição nunca esquecida por este povo.
O Natal está a chegar e está na hora de colocar nas nossas casas as luzinhas a piscar que dão um ar de graça às casas e à aldeia.
Nas ruas da Quarta-Feira não há arcos enfeitados nem montras como nas cidades, mas há isso sim uma sensação natalícia que paira no ar muito mais apurada que em qualquer espaço citadino.
Na Quarta-Feira não há Natal sem madeiro, assim como não há missas natalícias em que não se beije o Menino Jesus e claro que também não há casas quartafeirenses em que não haja uma lareira com uns belos cavacos que no dia da consoada dão mais sabor ao bacalhau e às couves que certamente todos os quartafeirenses não dispensam nesta data festiva.
Natal nesta aldeia é magia, amizade, tradição, enfim… é sem dúvida uma bela sensação.