segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Na Quarta-Feira a chuva é pouca e o frio é muito

À semelhança do último Outono também o Inverno está a ser muito pobre em chuva.
Ao que parece, o que veio mesmo para ficar foi o frio, pois durante a noite e de madrugada as temperuras são negativas. O que vale é que na Quarta-Feira a lenha é de boa qualidade!!!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Declaração de IRS




Nota importante:
 
Na declaração de rendimentos de 2011, na rubrica "Pessoas a Cargo", não esquecer de indicar os nomes do Presidente da República, dos membros do Governo, dos deputados parlamentares, dos gestores das Empresas Públicas e de todos os outros f.d.p. que comem do nosso bolso.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Mensagem de Natal de D. Manuel Felício ( Bispo da Guarda ) - O Natal já passou mas o conteúdo é interessante.


Natal – nasceu Jesus e renasce a esperança

Voltamos a viver o Natal em
situação de crise, portanto com sofrimento acrescido para muitas pessoas e
famílias. Diminuem os ordenados, cresce o número dos que perdem emprego, aumentam
os impostos e taxas para níveis muito desconfortáveis, pondo em causa a próprio
sustentabilidade económica da sociedade; o poder de compra desce todos os dias,
ainda que, em geral, de forma silenciosa. As pessoas sofrem e aumentam os casos
de pobreza, sendo, com frequência pobreza envergonhada.

Por outro lado, sabemos que,
apesar de a população mundial ter ultrapassado, há poucas semanas, o limite dos
7 mil milhões, há recursos materiais suficientes para todos. Não chegam é para
manter hábitos de consumo material desajustados à realidade quer das
necessidades verdadeiras das pessoas quer da disponibilidade dos bens criados.
Por isso são já muitos os profetas da actualidade que pedem uma mudança de
paradigma nos hábitos e nas práticas das pessoas e da sociedade. São poucos,
porém, os que arriscam definir os caminhos desse novo paradigma.

Do Presépio de Belém vêm-nos
indicações para definirmos bem o modelo de vida em sociedade que as novas
circunstâncias exigem. Assim, o Menino de Belém, sendo Senhor do mundo,
contentou-se com as palhinhas de uma manjedoira e a companhia de alguns animais
para berço do Seu nascimento, sob o olhar atento do Pai e da Mãe. Recomenda-nos
sobriedade.

Também, desejando prestar um
serviço ao mundo e a cada pessoa em concreto, sendo Deus e Senhor, assumiu a
condição humana até às últimas consequências, sem qualquer reserva. Aceitou
passar pelo sofrimento e pela rejeição social, desde o primeiro momento da sua
entrada na história, porque não houve para ele lugar nas casas nem nas
hospedarias, partilhando, assim, a sorte dos excluídos.
Recomenda-nos a solidariedade.

Nasceu no seio de uma família,
onde reinava o amor incondicional e sem reservas entre marido e esposa; o amor
total para aquele Filho; a procura de soluções e partilha de sofrimento nas
horas difíceis – não foi fácil aceitar que o nascimento fosse numa gruta de
animais, como não foi fácil a fuga para o Egipto ou a perda do Menino em
Jerusalém nos tempos da sua adolescência.
Esta é uma lição de família.

Hoje continuamos a precisar de
famílias assim, assentes no amor e na fidelidade sem condições entre os
esposos; famílias onde os filhos se sentem sempre bem acolhidos, amados e
valorizados; famílias onde os idosos se sentem em casa e  nunca abandonados; famílias que sejam
verdadeiramente escolas de valores humanos e cristãos essenciais para a
cidadania.

O Natal, festa comemorativa do
Nascimento de Jesus, é também festa da Família. Por isso pede novas atitudes da
sociedade e das leis que a regulam para com a instituição familiar. De facto,
assistimos a hábitos instalados de desprezo pela realidade da família, que só
podem gerar sofrimento das pessoas e cada vez mais exclusão social.

Que este Natal seja, de verdade,
nascimento de Jesus no coração e na vida das pessoas e instituições, incluindo
a organização social que temos, para que a valorização das famílias, a
sobriedade no consumo, a solidariedade dirigida à situação de cada um, na
proximidade e atenção diárias sejam parte essencial da mudança de paradigma da
nossa vida em sociedade tão apregoada nos actuais tempos de crise.

Guarda e Paço Episcopal, 8 de Dezembro de 2011

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

sábado, 7 de janeiro de 2012

Hoje dia 7 de Janeiro realizou-se a Volta da Santa 2012. Os cigarrinhos... esses foram poucos...Será que é da Troika?


O que diz o povo sobre o mês de Janeiro

A água de Janeiro, vale dinheiro.

Janeiro quente traz o diabo no ventre.

Ao luar de Janeiro, se conta dinheiro.

Em Janeiro, um porco ao sol outro no fumeiro.

Os bons dias em Janeiro vêm-se a pagar em Fevereiro. 

A 20 de Janeiro, uma hora por inteiro e quem bem contar, hora e meia vai achar.

Se queres ser bom ervilheiro, semeia no crescente de Janeiro.

Janeiro greleiro, não enche o celeiro.

Em Janeiro sobe ao outeiro. Se vires verdejar, põe-te a chorar. Se vires terrear põe-te a cantar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As Janeiras

Em tempos recuados,, durante o mês de Janeiro, rapazes e raparigas, juntavam-se à noite, depois da ceia para irem cantar as Janeiras às portas das pessoas, desejando-lhes as boas festas e recolhiam alguns donativos para no final fazerem uma borga.
Quando chegavam às portas das casas, era costume cantarem algumas quadras, das quais se destacam as seguintes:
Boa noite, Boa noite !
Que seja de alegria!
Quem nos manda é o Rei da Glória
Filho da Virgem Maria.

“Inda” agora aqui “tcheguei”
E “à” por o “pei” na escada
Logo “mê” coração “dixe”
Aqui mora gente honrada.

Viva lá senhora……
Raminho de “amendoêra”
“Indanda” cá neste mundo
Já no céu tem a “cadêra”

Esta casa é muito bela,
E forrada a “denhêro”
Quem dentro dela passeia
É um nobre “cavalhêro”

Levante-se lá senhora
Desse banco de cortiça
Venha-me dar as “Janêras”
Ó morcela ó “tchoriça”

Quando a família visitada não vinha à porta e não respondia, ou se respondia mal, então nesse caso cantavam uma quadra em desabono da casa, tal como:

Vamo-nos daqui embora
Vamos daqui abalar
Que estes “barbas de farelo”
Não têm nada que nos dar.











domingo, 1 de janeiro de 2012

A Volta da Santa

O Natal Já lá vai e aproxima-se o dia de reis que na Quarta-Feira não tem qualquer celebração especial. Todavia, porque na freguesia vizinha de Águas Belas existe uma tradição antiga coincidente com o dia de reis, que se estende a duas das anexas de Sortelha, talvez por uma razão de proximidade, aqui fica uma pequena referência a essa tradição, a que o povo chama “ A Volta da Santa”.
Na Quarta-Feira conta-se que há muitos anos, nas terras do termo de Águas Belas e possivelmente também na Quarta-Feira e Dirão da Rua, desaparecia todos os anos uma pessoa sem que alguém soubesse o que lhe tinha acontecido.
Assustados com o insólito acontecimento, os habitantes prometeram dar todos os anos, no dia de reis, uma volta com a imagem de Nossa Senhora por toda a freguesia de Águas Belas, incluindo no trajeto também as aldeias de Quarta-Feira e Dirão da Rua que, embora pertencendo à freguesia de Sortelha, ficam mais próximas de Águas Belas.
Uma comissão de quatro mordomos vai a todas as casas dar a imagem de Nossa Senhora a beijar a cada uma das famílias, dizendo à chegada a cada casa:
“ Nossa Senhora entra nesta casa” – ao que a família visitada responde: - “Nossa Senhora é que cá queremos”. Após esta resposta, os mordomos entram e dizem: - “Boas Festas corporais e espirituais para toda a família”, seguidamente e com o devido respeito, os elementos da família presentes ajoelham-se e beijam o quadro de Nossa Senhora, que um dos homens traz pendurado ao pescoço.
Terminada esta parte, a família oferece algumas bebidas e bolos, que previamente colocou sobre a mesa, mas que os visitantes só aceitam de onde em onde, dado o grande número de casas que têm que visitar não lhes permitir beberem em todo o lado.
Finalmente, não se sabendo muito bem porquê, os homens deixam maços de cigarros para as pessoas fumarem. Nesse dia, jovens e adultos, todos fumam um cigarro dizendo: - “Este não faz mal porque é da Santa”.
Cumprindo anualmente esta promessa, segundo os mais antigos contam, nunca mais desapareceu ninguém até ao dia em que, por causa de um grande nevão, não puderam dar a Volta e, de novo, uma pessoa desapareceu. Após esse acontecimento, prometeram que a “Volta” seria dada independentemente das condições climatéricas, o que ainda hoje acontece.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Assento de Batismo do Ti Eusébio Leal


A figura do ti Eusébio é ainda hoje um nome bastante conhecido entre os moradores da Quarta-Feira, no entanto já ninguém tinha a mais pequena ideia de quem teriam sido os pais deste homem.
Para desmistificar mais um pouco da história deste homem e da Quarta-Feira aqui fica um documento retirado do livro de assentos de batismo do ano de 1886 da freguesia de Sortelha que consta no arquivo distrital da Guarda.



Documento Original





Para melhor se perceber o que está escrito no documento aqui está a transcrição


Aos treze dias do mês de Setembro de mil oitocentos e oitenta e seis, nesta paróquia e igreja de Sortelha, Concelho do Sabugal, Diocese da Guarda, baptizei solenemente um individuo do sexo masculino a quem dei o nome de Eusébio e que nasceu nesta freguesia pelas três horas da manhã do dia cinco do dito mês, e ano, filho legitimo e primeiro deste nome de António Leal, jornaleiro e Maxima Clara, sem profissão, naturais, moradores, paroquianos e residentes nesta freguesia, neto paterno de João Leal e Rita Maria e materno de Luiz da Costa Clara e Josefa Bairras. Foram padrinhos Eusébio Lopes Soares e sua mulher Francisca Leal, proprietários naturais desta freguesia, os quais sei serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de lido e inferido perante os padrinhos o assino só com o padrinho por não saber escrever a madrinha.
Escrito por
O padrinho – Eusébio Lopes Soares
O Vigário – Agostinho Pereira

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

2011 aproxima-se do fim

O ano de 2011 está quase a finalizar. Enquanto isso acontece, a humanidade continua à procura da verdadeira felicidade e na verdade talvez não haja nada mais legítimo que isso.
A felicidade não é um estado final ao qual se chega e, depois disso, não há mais nada a fazer, tal como o sucesso, pois uma coisa é chegar lá, outra bem diferente e mais trabalhosa é preservar o que foi conquistado.
A felicidade que a humanidade, confusamente, procura não está em nenhum lugar específico, nem tão pouco relacionada com nenhum ato especial. A felicidade é uma conquista que se faz todos os dias em todos os momentos, em cada pequena e grande atitude.
Com este espírito da conquista da felicidade e com o pensamento que nenhum ano será realmente novo se continuarmos a cometer os mesmos erros dos anos velhos aqui ficam os votos de que o ano novo que se inicia seja para todos os Quartafeirenses um ano de prosperidade em cada dia e cada momento possa ser vivido intensamente com muita paz e esperança, pois a vida é uma dádiva e cada instante uma bênção de Deus.

Recordar o Senhor Padre José Pires é recordar mais um pouco da História da Quarta-Feira, pois este homem assegurou, durante mais de trinta anos, o serviço religioso desta aldeia.




quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Natal Na Quarta-Feira

Das festas do calendário, o Natal é aquela que assume maior significado para as gentes desta terra.
É nesta quadra, à semelhança do que sucede no resto do país, que as famílias se juntam para a festa da consoada na noite de Natal.
 A rapaziada, uma ou duas semanas antes, começa a juntar a lenha para o madeiro que irá arder na noite de Natal, antigamente em carros de bois e atualmente em reboques de tratores. Era costume, a rapaziada sorrateiramente entrar nos currais agarrando algumas giestas e lenha miúda que os donos guardavam nos cobertos ao abrigo da chuva, para melhor atear o madeiro, principalmente quando a noite estava de chuva ou neve.
O madeiro ou mariano como também era conhecido noutros tempos, é composto por troncos enormes e sobretudo grossas raízes de árvores, que foram arrancadas e que pela sua dimensão, não servem para queimar em casa, sendo guardadas para esse fim.
Terminados os trabalhos do madeiro todos recolhem a casa, onde mães e filhas, em grande azáfama, preparam a consoada, confecionando os pratos tradicionais desta aldeia, onde não pode faltar a bela couve cozida com bacalhau, as filhoses, as rabanadas, e o arroz doce, entre outras coisas que irão fazer as delícias de toda a família, nessa noite e no dia de Natal.
Por volta da meia noite, depois da consoada,  as pessoas juntam-se no lugar do madeiro que ultimamente tem sido na Rua da Capela e é posto o fogo àquele grande amontoado de lenha, que não demora em arder em grandes labaredas que atingem vários metros de altura, fazendo afastar toda a gente dada a intensidade do calor que dele irradia.
Junto à fogueira, a rapaziada fica uma boa parte da noite, costumando assar  uns frangos nas brasas do madeiro a acompanhar com um bom garrafão de vinho, o que mantém a alegria até de manhã.
Segundo diziam algumas pessoas mais antigas, era costume os rapazes baterem com uns cacetes nas brasas fazendo subir no ar milhões de “funiscas” ajudando assim a aumentar a alegria da festa.




quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Será um Quartafeirense um beirão igual aos outros ?

Ser Quartafeirense é antes de mais ser descendente de gente que aqui viveu há centenas ou milhares de anos, com mais ou menos dificuldades, resultantes do espaço geográfico em que esta aldeia se insere, no meio de grandes montanhas e com enormes problemas de mobilidade até a estrada ser construída .
Ser Quartafeirense é ter nascido neste vale fértil e deslumbrante com vista para a Estrela geralmente coberta pelo manto branco no meses de inverno e na primavera este vale transforma-se numa explosão de natureza com árvores a desabrochar e o florir.
Ser Quartafeirense é ser de uma terra de emoções, de sensações e tradições em que há uma vasta relação dos cheiros, dos sons, dos sabores, das palavras e das nossas gentes.
Enfim… ser Quartafeirense é um espetáculo.