sábado, 3 de março de 2012

Os jogos tradicionais na Quarta-Feira


À semelhança de muitas outras aldeias também na Quarta-Feira os jogos tradicionais eram uma forma de entretenimento. Os jogos que mais se praticavam  eram o jogo da barra, do vintém ou raiola, a malha e outros.

Fruto das influências exercidas pelos emigrantes residentes em França, também se praticava, especialmente no verão, o jogo das bolas ou pétanque.

Na segunda-feira a seguir às festas religiosas de Maio ou de Agosto costumava-se jogar o jogo do galo, com algumas variações.

Os locais onde se praticavam os jogos eram o Terreiro e o

Largo da Escola.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Quaresma


Em oposição à época carnavalesca, com as suas mascaradas e extravagâncias de todo o género, a Quaresma era outrora uma época do calendário propícia à meditação, jejuns e abstinências, que o povo da Quarta-Feira, apesar das mudanças operadas na sociedade, ainda respeita de um modo geral.

Durante o período quaresmal, por ser tempo de meditação e penitência, as pessoas da nossa aldeia não se atreviam sequer a cantar ou assobiar, por considerarem ser pecado. Os bailes, principal divertimento nas tardes de domingo, durante este tempo era coisa em que nem se falava. Apesar de a Quarta-Feira ser terra de acordeonistas, durante este período o acordeão não se voltava a ouvir.

Em substituição da música, considerada coisa profana, proibida na Quaresma, havia em Sortelha o costume de cantar  à noite cânticos religiosos, cumprindo uma tradição ali existente de há longos anos a que o povo chamava “o encomendar das almas”. Estes cânticos realizavam-se em certas noites da Quaresma e tinham por palco dois  lugares na vila, um era nas muralhas do castelo e o outro era encostado à parte norte das muralhas, no lugar denominado “cofre”. Por volta da meia noite, quando tudo dormia e o silêncio era total, apenas quebrado pelo ladrar de algum cão que sentia os passos dos “cantadores”, ou por algum mocho ou coruja empoleirados no alto das muralhas, ao toque de algumas badaladas compassadas no sino, os grupos, compostos por homens embrulhados nos seus capotes escuros e mulheres com xailes pretos tapando a cabeça, ocupando os locais atrás referidos, começavam os cânticos. As pessoas que dormiam acordavam sobressaltadas, assustadas por aquelas vozes dolentes que metiam medo, tanto pelas letras como pela música das canções, criando um ambiente medonho que fazia lembrar os mortos.

Segundo contam os mais antigos, um dos grupos iniciava os cânticos, o outro respondia e assim alternadamente, frente a frente cada um cantava os versos adequados àquele ritual, dos quais aqui ficam alguns exemplos:
 

Oh benditas almas santas
Eu aqui venho rezar
Pagai-me esta devoção
Se acaso um dia penar.

Olha cristão que és terra
Lembra-te que hás-de morrer
Hás-de dar contas a Deus
Do teu bom ou mau viver.

Olha não caias na culpa
Como a calma na geada
Que te andam a tentar
Os três inimigos da terra.

O primeiro é o mundo
Nele andamos a pecar
O segundo é o demónio
Que nos anda a tentar
O terceiro é a carne
Nela havemos de acabar.
  
À porta das almas santas
Bate Deus a toda a hora
Almas santas lhe respondem
Meu Senhor que quereis agora.



Atualmente a Quaresma já não tem na Quarta-Feira nem em Sortelha o significado que teve noutros tempos, é vivida como um tempo vulgar, em que têm lugar bailes e outros divertimentos que noutros tempos eram impensáveis.

Os cânticos que aqui foram referidos, também há já muitos anos que não se praticam. Aquilo que se mantém e está ainda enraizado na  mente das gentes da Quarta-Feira e de um modo geral na freguesia de Sortelha é a abstinência de carne nas sextas-feiras da Quaresma e o jejum na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa, que ainda são observados e respeitados pela maioria da população.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Parabéns ao Ti Felismino e à Ti Delfina

Em primeiro lugar aqui ficam os parabéns a este casal da Quarta-Feira pelos 60 anos de casamento que comemoraram no passado dia 14 de Fevereiro, juntamente com os seus filhos, netos, genros e nora.

A felicidade que este amor de mais de meio século irradia é algo extraordinário, pois nota-se que foi construído no dia a dia com base num esforço solidário e comum que atualmente é cada vez mais raro, visto que nem todos os casais são capazes de enfrentar com esperança e dignidade as dificuldades que surgem, naturalmente, ao longo de uma convivência tão extensa.
O Ti Felismino e a Ti Delfina souberam transformar os obstáculos do caminho em pedras preciosas e, por isso, são um exemplo de amor e união e até um exemplo de vida.
Que continuem por muitos e longos anos a ser a companhia um do outro.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Recolha das Janeiras na Quarta-Feira

Hoje dia 18 de Fevereiro foi feito o peditório das janeiras e amanhã dia 19 serão arrematadas em hasta pública à saída da missa as chouriças e as restantes ofertas, cujo valor reverterá a favor da festa de Nossa Senhora do Desterro de 2013.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Faleceu o Senhor Domingos Pires

Hoje, dia 4 de Fevereiro faleceu o senhor Domingos Pires com 84 anos de idade. Nasceu no dia 13/07/1927, era filho de Manuel Pires e Joaquina Leal, casado com Virginia de Jesus. Era irmão de Amadeu Pires, José Pires e António Pires. Paz à sua alma.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Óh frio vai-te embora!!!!

Na Quarta-Feira o frio é de rachar, os tanques e as zonas sombrias têm muito caramelo e as chaminés não param de deitar fumo. Parece que o inverno só agora está a chegar. 
Durante a noite as temperaturas são negativas e durante o dia também são bastante baixas.
Ainda assim a Quarta-Feira é encantadora, pois aqui o lume e o aconchego das lareiras tem outro "sabor" que certamanete os potentes sistemas de aquecimento das cidades não têm.
É verdade que não há inverno sem frio e gelo mas na Quarta-Feira também não há casas sem lareira...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Dia 4 de Fevereiro os Guardiões da Lua apresentam:


Texto de João Reis
Encenação e cenografia de João Reis
Actores: Realizada por quinze actores do grupo de teatro "Guardiões da Lua"
Comédia

         Sinopse da peça "Os filhos do vento e da lua":

Uma família itinerante de ciganos, chega de carroça a uma aldeia onde monta o acampamento para descontentamento dos habitantes locais. Apesar da má fama que têm e da rejeição, eles só querem sobreviver. Pedem esmola (as mulheres e as crianças) e o cigano faz trabalhos em verga para arranjarem dinheiro para o casamento da filha prometida, Carmem e Rafael. Também se vão apropriando, aqui e alem do alheio, o que lhes traz problemas com os guardas Birra e Ramiro.
Entretanto a filha Carmem, sonhadora que deixar a vida de cigana e renega a sua raça fugindo com um rapaz, Henrique, filho do guarda Ramiro. Na noite em que a mãe Rafael e a “Guardiã” matriarca, Esmeralda, vêm ao acampamento a combinar a data do casamento e a “esminar” a Carmem, ver se ela tem tudo no sítio para se casar, foge com o Henrique para Espanha. Assim é expulsa pela matriarca da raça cigana. A severidade da guardiã dos costumes e tradições da raça cigana não tem outro remédio senão anular o casamento e renega-la para sempre da sua raça. Entretanto o pai de Henrique, o guarda Ramiro, vem ao acampamento procurar o filho e tirar satisfações dos ciganos e quando todos os ciganos se vão precipitar para cima dele… ele vê a sua paixão de juventude. Arrebatados os dois e para surpresa de todos ela não é mais que a guardiã da moral, dos costumes e tradições dos ciganos; a matriarca Esmeralda.  



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Vamos todos ajudar o Aníbal !




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A Presidência da República emitiu esta sexta-feira à noite uma nota a agradecer ao indivíduo que pagou um bolo de arroz e um sumo ao Presidente, depois de o encontrar em Santo Tirso, à porta de uma pastelaria.

Cavaco estava apenas de passagem para uma inauguração, mas o indivíduo tinha acabado de ver nas notícias as declarações do Presidente, onde lamentou que o que ganha não chega para fazer face às despesas.

«Tinha acabado de ver nas notícias e quando saio à rua, dou de caras com ele. Disse-lhe logo que dinheiro não dava, porque depois ele gastava tudo no BPN, mas aceitei pagar-lhe um bolo e um sumo», relata o indivíduo: «Os olhos do Presidente arregalaram e só me perguntou se o sumo podia ser néctar.»

Na nota da Presidência da República pode ler-se que «o Presidente da República ficou muito comovido com a oferta daquele cidadão e com o tamanho do bolo de arroz, que chegou para a Primeira Dama».


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Primeiro Aniversário do Blog da Quarta-Feira

Hoje dia 26 de Janeiro o Blog da nossa aldeia faz um ano, é ainda muito jovem e simples mas é um ponto de união dos Quartafeirenses que perto ou longe não esquecem a terra onde estão as memórias da sua infância.
Aos leitores e visitantes que gostam aqui fica a promessa de, sempre que possível, continuar a colocar assuntos relacionados com a nossa aldeia, aos que não gostam…que tenham paciência.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Carnaval da Nossa Aldeia

O Carnaval ou Entrudo, é desde há longa data, uma das festividades mais comemoradas na Quarta Feira. Nesse dia a refeição principal é constituída por carne de porco, especialmente os pés, orelhas, focinho e outra carne da cabeça sem esquecer o rabo. Quando o porco não tem rabo, por qualquer razão, há logo na matança quem diga: “faz falta para dia de Entrudo”.
Na Quarta Feira, semanas ou meses antes é costume juntar-se um grupo de rapazes para distribuírem entre eles os papeis que cada um vai desempenhar na chamada “Fama do Entrudo”.
Mas o que é afinal a “Fama do Entrudo” ou simplesmente a “Fama”, como vulgarmente aqui é chamada?
A “Fama” é então um conjunto de quadras, elaboradas por esse tal grupo de rapazes, em que se conta a vida do “Santo Entrudo” desde o seu nascimento, engenhosamente inventado, o seu percurso desde longa distância, durante o qual arranja “esposa”, com peripécias de toda a ordem até à sua chegada. Essa rapaziada dedica-se à investigação dos pontos fracos das pessoas, especialmente das raparigas e sua publicação, para vergonha das mesmas, “rematando” no final com avisos para que os fracassos que aconteceram não voltem a suceder, prometendo nesse caso vir a denunciá-las no ano seguinte.
Para dar corpo a todo o cerimonial, os rapazes reúnem-se à noite para comporem a sua “obra”. No meio do grupo há sempre alguém com maior capacidade de imaginação e com uma certa veia poética, que se encarrega da redação da fama, sempre em quadras, enquanto os outros vão sugerindo ideias e contando factos de que tenham conhecimento, para serem postos a descoberto.
A Fama começa por narrar, sempre na primeira pessoa, de um modo grotesco, o nascimento do Entrudo, a sua vida sempre difícil e dramática com acontecimentos de toda a ordem. Seguidamente, trata da viagem, também ela cheia de dificuldades, desde o meio de transporte utilizado até à fome a que por vezes faz alusão, à dormida, geralmente no cortelho do “marrano” ou numa “hospedaria” de classe semelhante. Durante a viagem, ele vai arranjar maneira de uma forma ardilosa, de “roubar”, a filha a alguém que seja já pessoa de conhecimento do público, de uma aldeia vizinha, para dar mais enfase ao espectáculo, sobretudo quando o próprio está presente. Este, meneando a cabeça, esboça quase sempre frases do tipo “És munta burro”, mas nem por isso deixa de rir com os factos narrados a seu respeito, pois como aqui se diz: “ É Carnaval e ninguém leva a mal”.
Seguidamente, já acompanhado da “mulher”, prossegue a viagem sempre caracterizada por acontecimentos rocambolescos, entre os quais tem de roubar um burro para si e outro para a “esposa”. Uma vez em posse de “boas montadas”, adquiridas das mais variadas formas, mas em que o Entrudo prega sempre qualquer partida ao dono, o “casal” prossegue então a viagem até ao local do destino, neste caso a nossa Quarta Feira.
Ao chegar à aldeia, entra em contacto com alguém, a quem vai pedir alguns préstimos, como sejam ferrar o burro, fazer a barba, “dar um copo” etc.. Nestes casos vai pedir, com certa graça para todos, a um ferreiro, por exemplo, para curar o burro, e é capaz de pedir ao veterinário para lho ferrar e assim por diante, procurando de qualquer modo que o povo ria a plenos pulmões.
Após ter feito a barba, ferrado o burro, maquilhagem à esposa e sabe-se lá o quê, ele aí está a apresentar-se ao publico em tom ameaçador, referindo-se aos avisos que fizera no ano anterior, os quais foram desrespeitados. Eis a razão da sua presença ali, para os denunciar de novo, começando nesse momento as denuncias dos factos que, segundo ele, aconteceram durante o ano, embora sejam apenas fruto da imaginação do autor. Este declara que esses acontecimentos são verídicos e têm de ser castigados, com a infâmia da denúncia em praça pública.
Depois de “desfolhar todo o reportório”, volta a ameaçar os ouvintes, faz as despedidas e vai-se embora, disparando para o ar, com uma caçadeira, dois tiros de pólvora seca.
Com a finalidade de montarem todo o cerimonial, no dia de Entrudo os rapazes pedem dois burros, que são devidamente enfeitados, um para o Entrudo e outro para a “esposa”.
Num lugar escondido, onde apenas a pequenada gosta de ir espreitar, fazem-se todos os preparativos.
O Entrudo, com a cara pintada a preceito mas sem a máscara, vem montado num dos burros, trazendo na mão o “livro da fama”. A mulher, do meso modo, devidamente caracterizada a preceito e maquilhada, pois de um rapaz se trata, vem também montada noutro burro, geralmente bordando uma pequena peça de linho. Os dois burros são guiados por dois homens, vestindo uniformes militares e trazendo cada um ao ombro a sua arma, para imporem à multidão todo o respeito que o ato merece.