domingo, 8 de julho de 2012

Novos mordomos da comissão da Igreja da Quarta-Feira

Ontem, dia 7 de Julho de 2012 foram nomeados dois novos mordomos para a comissão da Igreja. Para tesoureiro foi nomeado o Antero "que não sei bem que é" e para assistente foi nomeado o Rui que é rapaz dedicado.

Casamento de Quartafeirense

Ontem, dia 7 de Junlho de 2012 casou-se em Lisboa a Vanessa, filha de Manuel Júlio e de Maria da Glória Leal, neta de Olívia Lourenço e José Leal. Parabéns e muitas felicidades.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Na Quarta-Feira já cheira a verão


Por aqui o calor já aperta, já se tiram batatas, ceifa-se o feno, tira-se o mel  e de um modo geral a azáfama dos trabalhos do campo  não para. De manhã bem cedo levanta-se o Ti Felismino, o Joaquim Gomes que toca o sino, o Ti João e outros e quando o dia nasce já estas gentes têm muito trabalho feito pelo que o calor não atrapalha muito, pois quando ele chega a sério, isto é, depois de almoço já são horas da sesta.
Estamos pois a entrar no ritmo do verão, pois já cá estão também alguns dos nossos emigrantes e não tarda vêm mais alguns que já é costume virem nesta altura.
Verão à maneira...já se sabe...é na Quarta-Feira.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Os Santos Populares

Dos Santos populares, aquele que tem para o povo da freguesia de Sortelha maior significado e consegue gerar ainda um certo entusiasmo é o São João.

Nos dias que o antecedem, era costume em Sortelha os rapazes espetarem um mastro no centro do largo de São Gens, o qual era revestido com rosmaninhos e outros adornos, como balões, bandeiras e recortes de papéis de fantasia, que davam ao mastro uma certa graça, fazendo lembrar o São João.

Nessa noite, os rapazes costumavam organizar o tradicional baile de São João, ao qual ocorria grande parte da população.

Por volta da meia-noite, deitava-se o fogo ao mastro e fazia-se aquilo a que as pessoas chamam o “sarnadoiro” ou “sarnadouro”, que consiste em saltar por cima das fogueiras enquanto os rosmaninhos ardem exalando no ar o seu agradável e característico perfume. Atualmente, dada a falta de gente jovem no nossa região, capaz de imprimir vida à noite de São João, por vezes em substituição do mastro fazem-se aqui e ali pequenas fogueiras que, dentro de uma certa crença, servem apenas para as pessoas se “sarnarem” acreditando que assim ficam livres de certas doenças.

Na Quarta-Feira, as pessoas ao saltarem as fogueiras, costumam entoar algumas rimas populares, que cada qual compõe no momento, usando talvez um pouco da sua veia poética, tais como:

Sarnar em Valhelhas

Saúde para as orelhas

Sarnar em Água Belas

Saúde p’ ras minhas canelas.

Etc. etc..



Para além destas rimas da autoria das pessoas que vão saltando, costumavam-se cantar algumas cantigas alusivas ao São João das quais se destacam as seguintes:

Ai repenica, repenica, repenica,

Ai São João a suar em bica.



Ai repapoila, repapoila, repapoila,

Arroz-doce p’rá minha caçoila.

Ai orvalheiras, orvalheiras, orvalheiras,

Viva o rancho das mulheres solteiras.

Ai orvalhadas, orvalhadas, orvalhadas,

Viva o rancho das mulheres casadas.



Se fores ao São João

Trazei-me um São Joãozinho,

Se não puderes com ele mais grande,

Trazei-me um mais pequenino.



S. João p’ra ver as moças

Fez uma fonte de prata,

Mas as moças não vão lá

 São João todo se mata.

Para animar mais a noite de festa, na Quarta-Feira era costume pendurar-se um cântaro de barro no cimo do mastro, dentro do qual era metido um gato tapado com rede, para não poder sair. Quando o fogo atingia o cordel que segurava o cântaro, este caía no chão e ao partir-se, o gato “assanhado” pelo barulho de alguns foguetes colocados no mastro, lançando no ar alguns “miaus”, fugia meio chamuscado, provocando o riso geral.

Com pequenas variações de umas anexas para as outras é assim, dum modo geral, que se celebravam e celebram as festas de São João na freguesia de Sortelha.

Relativamente ao São Pedro, embora não seja festejado actualmente, teve noutros tempos um papel de relevo nas mentes das gentes da freguesia de Sortelha, por estar ligado aos prazos de contratos estabelecidos entre patrões e criados.

Os contratos que fossem respeitantes ao ano todo ou apenas a alguns meses, terminavam quase sempre no dia de São Pedro, mesmo para os criados que estivessem vários anos na mesma casa.

Durante o período de contrato, os criados não tinham direito a pedir aumento de ordenado, mas logo que chegasse o dia de São Pedro, o criado podia pedir aumento e em caso de não chegar a acordo com o patrão, ficava livre para procurar outro.

Estes contratos eram sempre verbais, mas nem por isso tinham menos validade, pois salvo raras exceções, qualquer das partes respeitava integralmente o que tinha sido acordado.

Os criados que na véspera da feira de São Pedro, que ainda hoje se realiza no Sabugal, não chegassem a acordo com os patrões, nesse dia iam à feira, local onde os criados que tivessem deixado os patrões e os proprietários rurais que precisassem deles se encontravam para negociarem os seus contratos.

Alguns pastores, para serem identificados apresentavam-se a tocar flautas, consideradas instrumentos típicos da profissão e traziam às costas chocalhos e campainhas, “loiça” que era propriedade sua e por isso haviam retirado dos rebanhos dos anteriores patrões.

Os ganhões apresentavam-se com grandes varas, geralmente de castanho, freixo ou salgueiro, providas de picos na ponta , a que na Quarta-Feira se dá o nome de ferrão, consideradas emblemáticas daquela profissão.

A atestar a importância que o São Pedro tinha nas mentes das nossas gentes, relativamente aos contratos celebrados entre patrões e criados, está o facto ainda actual, de em jeito de brincadeira, se perguntar em véspera da feira à vizinha ou pessoa de relação corrente, se está contente com o patrão ou se vai ao São Pedro para “arranjar” outro novo e o mesmo se pergunta também aos homens se vão ou não mudar de patroa.

A resposta é geralmente esta ou outra semelhante: - Já pensei em mudar mas tenho medo de ficar pior.




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Provérbios do mês de Junho

          ·  Junho calmoso, ano famoso.
· Junho chuvoso, ano perigoso.
· Junho dorme-se sobre o punho.
· Junho floreiro, paraíso verdadeiro.
· Junho não dá nada; mata a fome com a cevada.
· Junho quente, Julho ardente.
· Junho, foicinha em punho.
· Lavra pelo S. João e terás palha e pão.
· Pelo S. João a sardinha pinga no pão.
· Pelo S. João deve o milho cobrir o chão.
· Pintos de S. João pela Páscoa ovos dão.
· Quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança.
· Sol de Junho amadura tudo.
· Sol de Junho madruga muito.
· Um bom madeiro pelo S. João há-de ter boa aceitação.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Mais um descendente da Quarta-Feira

Hoje, dia 7 de Junho em Almada nasceu o menino Dinis filho de José Carlos Costa Gonçalves e de Ana, neto de Orinda e Fernando Gonçalves.
Felicidades ao bebé e parabéns aos pais e avós.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Nós Quartafeirenses...

Todos nós Quartafeirenses temos no coração a nossa terra querida, que por razões diversas nos deixa simplesmente a sonhar. A Quarta-Feira é a terra dos sonhos de cada um de nós, pois foi nela que chorámos, rimos, cantámos, trabalhámos, enfim existe uma profunda porção de vivências, memórias, pensamentos, frustrações, alegrias, tristezas e muitas outras emoções que estão à volta da nossa aldeia, que nos marcaram no passado e nos tornou no que somos hoje.

Esta aldeia viu-nos nascer, crescer, aprender, trabalhar, enfim…fez-nos viver.

A Quarta-Feira podia hoje ser uma terra mais sorridente se tivesse todos os seus filhos dentro dos seus limites geográficos, mas na vida nem tudo é como cada um quer, pois por vezes obriga-nos a fazer escolhas duras mas necessárias para podermos seguir aqueles sonhos de criança que pesados na balança, o que é mais pesado e mais difícil é a busca de uma vida melhor e parece ser a decisão mais acertada.

A vida, por vezes, obriga-nos a fazer aquilo que mais dói e mostra-nos que é preciso mudar, voar alto e bem longe para outro lugar onde moram promessas e os sonhos de menino, longe da pacatez e do silêncio da Quarta-Feira, talvez numa cidade grande e confusa.

Perto ou longe guardamos no coração a nossa aldeia que nunca deixou de ser a mesma que era no dia em que decidimos partir para mais tarde regressar. No entanto, nesse dia a Quarta-Feira ficou certamente mais pobre, pois a presença de cada um e o calor humano faz falta à nossa gente, por isso cada um que aqui pertence e que anda lá longe não se esqueça da sua aldeia, dos tempos que outrora aqui passou e das memórias de um tempo que teima em não voltar e que as recordações de outros tempos sejam também mais um bom motivo para aqui regressar de quando em vez para recordar e reviver os tempos de infância que na Quarta-Feira passou e certamente ainda não esqueceu.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Jogo das Alhas Alhas


Era jogado por pessoas de qualquer idade, na altura das castanhas.

Habitualmente participavam dois jogadores, mas podiam entrar tantos quantos quisessem.

Um desafiava o outro, estendendo-lhe a mão fechada. O parceiro dizia-lhe:

Alhas alhas, abre a mão e dá-mas, ao que o parceiro respondia:

Se atinares quantas são a ti tas darão.

Se o que respondia acertava o número exato de castanhas, ganhava-as e ficava, por sua vez, a estender a mão.

O jogo prolongava-se, do mesmo modo, até que os participantes o decidissem ou algum deles ficasse sem castanhas.




segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quarta-Feira "Aldeia dos Meus Encantos"


Nasci no sopé de duas serras, onde, segundo rezam as crónicas populares, havia muitos tocadores, minas que davam vida  e pão a muita gente e muitas tradições únicas que fazem desta aldeia um lugar único com uma paisagem admirável e um clima maravilhoso.

Na aldeia dos meus encantos, cresci a ouvir cantar os rouxinóis, o cuco, os galos, o tilintar das campainhas das vacas, dos chocalhos das cabras e ovelhas, de passear nos tradicionais carros de vacas e a cavalo nos dóceis burros que estão quase em vias de extinção.

À medida que fui crescendo fui-me deliciando a ouvir histórias que os mais antigos muito bem sabem contar e que eram e são uma forma de conhecer um pouco do passado e da forma de viver deste povo.

A Quarta-Feira é, sem sombra de dúvida a aldeia mais bonita da freguesia de Sortelha e até do concelho de Sabugal onde cada montanha, cada ribeira, cada pedra e cada pormenor tem um encanto próprio que só é apreciável pelos olhos que realmente sabem apreciar aquilo que é verdadeiramente belo e deslumbrante.

Na aldeia dos meus encantos a história faz-se todos os dias ao mesmo tempo que há espaço e oportunidade para viver a história dos nossos antepassados com amor e alegria.

Na Quarta-Feira interiorizou-se o princípio de que nem só de pão vive o homem e ainda se preservam muitas tradições como o Carnaval com a fama, o cozer do pão, dos doces e outros petiscos que fazem crescer água na boca, a volta da Santa, o Santordia e outras que são típicas da nossa aldeia.

A aldeia dos meus encantos está de braços abertos para aqueles que a visitam oferendo-lhes o perfume das flores campestres, a tranquilidade e o abraço amigo da amizade aldeã, consagrada na célebre expressão: “Entre quem é boa gente”.


Proverbios do mês de Maio


Sol de Maio e boa terra, fazem melhor gado que o pastor mais afamado

A melhor cepa, Maio a deita.

Maio claro e ventoso, faz o ano rendoso.

Maio couveiro, não é vinhateiro.

Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.

Maio jardineiro, enche o celeiro.

Maio pardo, faz o pão grado.

Maio que não der trovoada, não dá coisa estimada.

Em Maio, comem-se cerejas ao borralho.

Mês de Maio, mês das flores, mês de Maria, mês dos amores.

Quando em Maio não troa (troveja) , não é ano de broa

Em Maio verás, a água com que regarás

Maio serôdio ou temporão, espiga o grão

Favas, Maio as dá, Maio as leva.

Maio hortelão, muita palha, pouco pão.

domingo, 6 de maio de 2012

Dia da Mãe


Hoje dia 6 de Maio comemora-se o Dia da Mãe com o objetivo de homenagear todas as progenitoras.

Porque todas as mães são especiais e principalmente as da Quarta-Feira, aqui ficam, para todas as mães Quartafeirenses, os votos de um bom dia e um poema dedicado a elas.

Mãe, se fosses uma cor

Serias verde como a natureza,

Serias brilhante como o Sol,

Serias vermelha como o amor.


Mãe, se fosses um fruto

Serias saborosa como o morango,

Serias doce como a melancia,

Serias perfumada como um pêssego.

Mãe, se fosses um nome

Serias calor que me aconchega,

Serias alegria que me faz crescer,

Serias paciência para me aturar.

Mãe, se fosses um perfume

Serias intensa como rosas,

Serias tímida como as violetas,

Serias suave como o acordar da natureza.

Mãe, se fosses vida

Serias o ar que eu respiro!

Serias o alimento que me faz crescer!

Serias tudo para mim!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Jogo dos Compadres

Durante a Quaresma um rapaz e uma rapariga, de comum acordo, entrelaçavam os dedos da mão direita e diziam:

Enganchar, enganchar

Até ao dia do afolar

Quando eu te vir

Hei-de te mandar rezar.

Deste modo ficavam compadres e acordavam ( contratavam ) que, até à véspera do dia de Páscoa, o primeiro que visse o outro, o “mandava rezar” um “Padre Nosso” e uma Avé-Maria.

Quando estabeleciam  o contrato diziam logo que debaixo de telha não valia, por isso, alguns de espirito mais imaginativo e mais brincalhões, traziam sempre um caco de telha no bolso, para colocarem na cabeça quando viam o respectivo compadre, para que o não pudessem mandar rezar.

O que no último dia fosse descoberto pelo outro fora de casa e fosse mandado rezar, obrigava-se a dar amêndoas ao compadre ou comadre, indo comprá-las a Sortelha, à Festa de Santo Antão ou à Senhora da Póvoa.

As raparigas nesse dia evitavam sair de casa, para não serem vistas, enquanto os rapazes eram mais fáceis de encontrar na rua, por isso na maior parte das vezes perdiam.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Corridas de Burros

No segundo dia das festas, após os festejos religiosos, era costume há alguns anos organizarem corridas de burros, por não haver outras distracções.
Chegavam a participar 10 ou 12 burros.

Os concorrentes, montados em burros, partiam de um local pré-estabelecido, davam uma volta por várias ruas da povoação e voltavam ao ponto de partida, sendo vencedor o que aí chegasse em primeiro lugar.
Era uma prova de competição, através da qual os rapazes e homens mais amigos da paródia demonstravam a sua perícia na condução dos burros.

Mas, além disso, a corrida era um divertimento coletivo, dadas as situações engraçadas que provinham da dificuldade em fazer entender aos animais o percurso que deviam seguir e a velocidade pretendida. Deste modo, quando um animal não queria correr ou o fazia por qualquer atalho mais conhecido, tais peripécias geravam a hilaridade geral, comentários à inteligência asinina e à inabilidade dos jovens ginetes.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Grande Festa de Santo Antão

Hoje dia 16 de Abril realiza-se em Sortelha a festa de Santo Antão, a festa de maior relevo na freguesia.

Todos os residentes e muitos outros que aqui têm as suas raízes, embora morando fora, e até mesmo habitantes das aldeias vizinhas, fazem questão de estar presentes na festa de Santo Antão.

Logo pela manhã, com a chegada da banda de música, tem início a festa com a famosa alvorada de fogo de artifício. Terminada a alvorada, é a vez da banda, com os seus elementos devidamente fardados, como é da praxe entre as filarmónicas, dar o primeiro concerto tocando o chamado “toque da alvorada”. Seguidamente, a banda, acompanhada por alguns populares, que marcham ao ritmo da música, dá voltas às principais ruas da aldeia, ensaiando toques festivos como que a “espicaçar” as pessoas para o dia que acaba de despertar e que promete ser de verdadeira festa.

Terminada a volta pelas ruas, os músicos, levados pelos mordomos, vão tomar o café que, nesse dia, outra coisa não é senão uma refeição, para que, no dizer de alguns, eles possam soprar os seus instrumentos com forças redobradas.

Por volta do meio dia começa a celebração religiosa, que é a mola mestra de toda a festividade. A cerimónia inicia-se com uma longa e demorada procissão que percorre as ruas da Vila e depois prossegue pelo Arrabalde, indo dar a volta a uma pequena capela, chamada de Santa Catarina, após o que regressa à Igreja Paroquial, onde seguidamente tem início a celebração da Santa Missa.

Esta missa é celebrada pelo pároco da freguesia, coadjuvado por dois sacerdotes, um dos quais faz o Sermão, enaltecendo as qualidades do Santo Padroeiro, Stº Antão. No final da missa, logo as pessoas comentam cá fora no adro da igreja as qualidades oratórias do sacerdote pregador: uns dizem que o pregador era tão bom que “até fez chorar as mulheres”, outros dizem que “falou muito bem” e outros ainda, em resposta  aos que dizem que falou bem afirmam: “ se fosse o pastor cá da terra a falar assim é que era admiração, agora o senhor padre não admira nada”.

Com esta frase e outras de idêntico teor, fica bem demonstrado o juízo de valor que se faz do padre, ele é o homem que sabe, isto explica em parte o modo de viver e sentir desta gente e a sua afeição pelas práticas religiosas e respeito pelo sagrado.

Antigamente, há trinta ou quarenta anos, os lavradores, não só de Sortelha mas também de todas as anexas, tinham o costume de enfeitarem os animais, sobretudo bovinos e ovinos e com eles participavam na festa, integrando-se na procissão, para que o Sto. Antão, padroeiro dos lavradores, lhes desse a protecção para os seus gados.

No momento oportuno, alguns pastores, correndo em frente dos rebanhos, faziam, segundo contam os mais antigos, um cerco à capela de Santa Catarina com os rebanhos, colocando as ovelhas a correr umas atrás das outras. O pastor começava a correr na frente das ovelhas em volta da capela e logo que ele atingia as que seguiam na cauda do rebanho, estava fechado o cerco e nesse momento ele retirava-se para trás de alguém e as ovelhas, assim, corriam ininterruptamente umas atrás das outras até que o pastor se colocasse de novo no meio delas e lhes interrompesse a marcha.

Os lavradores que se deslocavam das aldeias anexas e das quintas, faziam-no muitas vezes em carros de bois e carroças, as quais enfeitavam com ramos de flores da época.

Alusivas a este facto apareceram algumas quadras que o povo canta ao Stº Antão, entre as quais se destaca a seguinte:

“ Viva o nosso Santo Antão

Qu’ é o rei dos lavradores

Levam carros e carroças

Carregadinhos de fe..lores

Esta festa é, sem dúvida, a de maior importância na freguesia de Sortelha. O facto de a gente desta região se dedicar à agricultura e dado que o Sto Antão é o padroeiro dos agricultores, explica a razão da importância dada a esta festa. O Santo que é representado encostado a um cajado, junto à parte inferior do qual está um leitão, explica a razão pela qual muitas pessoas prometem ao Santo Antão uma chouriça se, durante o ano tiverem sorte com o suíno que criam para a matança.  Havia quem prometesse uma “tchouriça” da medida do pescoço do “marrano” e por isso, no dia da matança mediam à volta do pescoço do bicho para poderem fazer uma mesmo à media.

Relacionado com o facto de Stº Antão ser representado com o leitão junto a ele, está o aparecimento de alguns versos como este:

Ó dim dim

Ó dim dim

Ó dim dão

Vivó nosso Stº Antão

Mais abaixo mais acima

Mais abixo tem um leitão.

Para mostrar a sua fé, e às vezes por uma questão de brio pessoal, o povo primava até poucos anos nas ofertas que dava ao seu padroeiro. As  ofertas compunham-se de grandes tabuleiros, às vezes tampas de arcas, por serem de maior dimensão, repletas de alimentos: cabritos, leitões, borregos, vinhos, doces, filhós, frutas, bebidas várias, etc

Havia também o hábito de colocar no meio da oferta um ramo de árvore enfeitado, no qual eram colocadas também algumas notas. Este hábito foi-se perdendo, dado que as ofertas, numa boa parte das vezes, não tinham compradores por parte do público, pois os que lá moravam não as arrematavam e os que vinham de fora não queriam gastar tanto dinheiro.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Jogo do Vintém

Trata-se de um jogo de lançamento de moedas para uma superfície de madeira, que em muitas localidades da Beira tem o nome de raiola, raioula ou arraioula.
Jogava-se nas tardes de domingo ou à noite, na taberna do Ti Ildefonso.
As moedas, os vinténs, previamente picadas com um cinzel, ficando os respetivos bordos com incisões e irregularidades que as faziam segurar na madeira, eram lançadas para um dos bancos da taberna ou para uma tábua.
O objetivo do vintém, jogado em termos individuais ou coletivos, por homens e rapazes mais velhos, era colocar a moeda sobre a raia transversal desenhada na superfície de jogo ou o mais próximo possível.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Caminho velho que vai continuar a ser velho

Porque os tempos são de crise, a Troika anda por aí e ontem foi dia 1 de Abril o caminho velho ainda não será desta que vai ser alcatroado. Contudo é preciso é não desanimar porque novas eleições eleitorais virão e então nessa altura sim...vai ser mais uma vez uma promessa que talvez um dia seja mesmo uma realidade...

domingo, 1 de abril de 2012

Caminho velho que vai ser caminho novo

Segundo fontes da Câmara municipal do Sabugal o caminho velho entre Quarta-Feira e Sortelha vai ser alargado e alcatroado já no próximo mês de Maio. A obra terá um custo total bastante elevado no entanto ainda não é conhecido o montante. A empresa que ganhou o concurso para execução dos trabalhos será, segundo a mesma fonte, uma empresa da região.
Esperemos que os trabalhos sejam breves, pois esta é uma obra pela qual o povo da Quarta-Feira muito tem esperado.