segunda-feira, 19 de março de 2012

A Panca

Era praticado há 50 anos no Terreiro junto ao forno, por homens e rapazes. Utilizavam um tronco de madeira com 2,5 a 3 metros de comprimento, que levantavam do solo, apoiavam num dos ombros e sustentavam por uma das pontas, com as duas mãos, geralmente com os dedos entrançados.
Após uma grande flexão dos membros inferiores, levantavam energicamente a bacia e os braços, impulsionando a panca para o ar e para a frente.

O Objetivo do jogo era conseguir arremessar a panca o mais longe possível, a partir da raia.
Apenas eram considerados válidos os lançamentos nos quais o tronco de madeira, após recepção ao solo, tombasse para o lado ou para a frente, não valendo aqueles em que a panca caísse para trás.
Hoje dia 19 de Março é Dia do Pai, sendo também dia de São José por isso aqui fica uma homenagem a todos os pais  Quartafeirenses... Que tenham um bom dia.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Mais uma descendente da Quarta-Feira

No passado dia 13 de Março nasceu em Lisboa a menina Leonor filha de David Leal, neta de Manuel Júlio e Maria da Conceição e Bisneta de Olívia Lourenço. Felicidades e parabéns aos pais e avós.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A Primavera está a chegar...

A Primavera pode ser vista como uma estação de transição, representando o tempo da despedida das frias paisagens e de preparação para entrar nos tons quentes de Verão. Na Quarta-Feira as flores e a ladeira em tom  verde são a marca principal da Primavera. As paisagens da nossa aldeia enfeitam-se para nos mostrar que um novo ciclo está prestes a chegar.
Nesta época vai embora o gelo, o cinza, o tempo de recolhimento  e a natureza revela-se multicolorida.
A Primavera está a chegar com a promessa de luz, de brilho, de aromas renovados, de cantos de pássaros a namorar no alto das árvores, de vento que leva o pólen para fertilizar os campos e de borboletas que voam e dão cor à vida... Primavera à maneira é na Quarta-Feira.




terça-feira, 13 de março de 2012

Jogo do Ferro

É, tal como a barra, um jogo de lançamento e força. Todavia, nesta prática era utilizada uma barra de ferro afiada numa ou nas duas pontas, instrumento habitual nas lojas dos agricultores. O lançamento era feito com uma técnica semelhante à da barra de pedra, sendo o ferro agarrado pelo meio, em posição quase vertical e projectado para a frente após algumas torções do tronco e rotações do braço.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ovelhas que dão leite para o bom queijo que se faz na Quarta-Feira

O jogo da Barra

Trata-se de uma demonstração de força, na qual se exercitavam os rapazes e homens, surgindo o jogo, a maior parte das vezes, como resposta a um desafio lançado por um "forçalhudo", amigo ou familiar.
Escolhida a pedra, geralmente de tamanho médio, 5 a 7 Kg de peso, os participantes juntavam-se no terreiro ou na estrada e, da risca ou raia tentavam projetar a pedra o mais longe possível, sustentando-a por baixo, com a palma da mão, e arremessando-a após uma torção do tronco e braço de lançamento.
Os  melhores lançamentos são marcados no solo, através de pequenas pedras ou paus colocados no sítio onde a pedra toca o solo.
O número de lançamentos que cada participante podia realizar era previamente combinado ou, noutros casos, o jogo terminava quando os atiradores o entendessem, sendo considerado vencedor o que tivesse obtido a melhor marca. Este jogo deixou de se praticar regularmente na Quarta-Feira há meio século.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Poema enviado pelo nosso conterrâneo Aníbal Gonçalves emigrante em França ( filho de José Maria Gonçalves e de Ana Maria mais conhecida por Ana Santa )

HOMNAGEM À MINHA ALDEIA (QUARTA FEIRA)



Na terra do meu berço
Modesta generosa e calma
Aprendi a rezar o terço
E a educar a minha alma

Nesta terra nasci
Nesta terra me criei
Nesta terra sofri
Nesta terra brinquei
Nesta terra aprendi
Por esta serra chorei

Quando saí da minha terra amada
Olhei para trás chorando
Pois era tudo o que eu mais adorava
E era o que ia deixando

O teu cheiro a mangerico
Que nos inspirava tanta alegria
Com o qual eu me identifico
Que hoje recordo com nostalgia

Bonita por natureza
Terra de encanto e magia
Não tem fim  tua beleza
É um povo de incontestável simpatia

O teu nome de Quarta Feira
De origem desconhecida
Simpática e feiticeira
Para todos nós a mais querida

É tão grande a tua beleza
Como a tua dimensão generosa
Não é por acaso com certeza
Que és também conhecida por Sintra Mimosa

A tua vista panorâmica com perfume a rosmaninho
Que não existe outra igual
És o simbolo do amor saudade e carinho
E o cantinho mais lindo de Portugal

Estou vendo a minha modesta casinha
Cercada de árvores, flores e aves
Hoje tão triste e tão sozinha
Que me traz imensas saudades

Lindas noites de luar
Vinham a abrilhantar a água
Meu Deus que é tão bom sonhar
Maezinha que te deixamos com tanta magoa

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Jogo das Bolas

Embora constitua um passatempo habitual nos meses de Verão, este jogo foi importado de França pelos nossos emigrantes, sendo vulgarmente conhecido por pétanque. Hoje já pouco se joga mas outrora jogava-se junto ao Largo da Escola.
É exclusivamente jogado por homens ou rapazes, individualmente ou em duas ou três equipas, com dois elementos cada.
Os materiais de jogo são: uma pequena bola de madeira ( com cerca de 3,5 cm de diâmetro ),  o cochonet, e duas bolas de metal, do tamanho das bolas utilizadas no ténis, por cada jogador. As bolas pertencentes a cada um dos participantes distinguem-se das restantes por meio de figuras gravadas na superfície esférica.
Após sorteio ou acordo prévio, um dos jogadores atira o cochonet para a frente ( geralmente para locais mais distantes, 5 a 10 metros da linha de lançamento ou raia ). Em seguida, o mesmo jogador lança a primeira bola em direcção ao pequeno alvo esférico, procurando colocá-lo o mais junto possível do cochonet, jogando alternadamente, todos os restantes.
Um jogo termina aos 13 pontos, vencendo a partida o jogador ou a equipa que prefizer dois pontos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O jogo da Malha na Q.F

Tal como acontecia na maioria das aldeias, jogava-se com malhas de ferro redondas, duas por cada equipa, mais na primavera e no verão.

Os objectos de jogo eram quatro malhas e dois pinos de madeira cilíndricos e pontiagudos do lado superior.

O objectivo do jogo é o derrube dos pinos ou a colocação das malhas o mais próximo possível deles. É um jogo de homens e rapazes disputado entre duas equipas de dois elementos.

O jogo termina aos trinta pontos, valendo cada derrube 3 pontos.

Considera-se vencedora a equipa que ganhar duas mãos, isto é, dois jogos.

sábado, 3 de março de 2012

Os jogos tradicionais na Quarta-Feira


À semelhança de muitas outras aldeias também na Quarta-Feira os jogos tradicionais eram uma forma de entretenimento. Os jogos que mais se praticavam  eram o jogo da barra, do vintém ou raiola, a malha e outros.

Fruto das influências exercidas pelos emigrantes residentes em França, também se praticava, especialmente no verão, o jogo das bolas ou pétanque.

Na segunda-feira a seguir às festas religiosas de Maio ou de Agosto costumava-se jogar o jogo do galo, com algumas variações.

Os locais onde se praticavam os jogos eram o Terreiro e o

Largo da Escola.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Quaresma


Em oposição à época carnavalesca, com as suas mascaradas e extravagâncias de todo o género, a Quaresma era outrora uma época do calendário propícia à meditação, jejuns e abstinências, que o povo da Quarta-Feira, apesar das mudanças operadas na sociedade, ainda respeita de um modo geral.

Durante o período quaresmal, por ser tempo de meditação e penitência, as pessoas da nossa aldeia não se atreviam sequer a cantar ou assobiar, por considerarem ser pecado. Os bailes, principal divertimento nas tardes de domingo, durante este tempo era coisa em que nem se falava. Apesar de a Quarta-Feira ser terra de acordeonistas, durante este período o acordeão não se voltava a ouvir.

Em substituição da música, considerada coisa profana, proibida na Quaresma, havia em Sortelha o costume de cantar  à noite cânticos religiosos, cumprindo uma tradição ali existente de há longos anos a que o povo chamava “o encomendar das almas”. Estes cânticos realizavam-se em certas noites da Quaresma e tinham por palco dois  lugares na vila, um era nas muralhas do castelo e o outro era encostado à parte norte das muralhas, no lugar denominado “cofre”. Por volta da meia noite, quando tudo dormia e o silêncio era total, apenas quebrado pelo ladrar de algum cão que sentia os passos dos “cantadores”, ou por algum mocho ou coruja empoleirados no alto das muralhas, ao toque de algumas badaladas compassadas no sino, os grupos, compostos por homens embrulhados nos seus capotes escuros e mulheres com xailes pretos tapando a cabeça, ocupando os locais atrás referidos, começavam os cânticos. As pessoas que dormiam acordavam sobressaltadas, assustadas por aquelas vozes dolentes que metiam medo, tanto pelas letras como pela música das canções, criando um ambiente medonho que fazia lembrar os mortos.

Segundo contam os mais antigos, um dos grupos iniciava os cânticos, o outro respondia e assim alternadamente, frente a frente cada um cantava os versos adequados àquele ritual, dos quais aqui ficam alguns exemplos:
 

Oh benditas almas santas
Eu aqui venho rezar
Pagai-me esta devoção
Se acaso um dia penar.

Olha cristão que és terra
Lembra-te que hás-de morrer
Hás-de dar contas a Deus
Do teu bom ou mau viver.

Olha não caias na culpa
Como a calma na geada
Que te andam a tentar
Os três inimigos da terra.

O primeiro é o mundo
Nele andamos a pecar
O segundo é o demónio
Que nos anda a tentar
O terceiro é a carne
Nela havemos de acabar.
  
À porta das almas santas
Bate Deus a toda a hora
Almas santas lhe respondem
Meu Senhor que quereis agora.



Atualmente a Quaresma já não tem na Quarta-Feira nem em Sortelha o significado que teve noutros tempos, é vivida como um tempo vulgar, em que têm lugar bailes e outros divertimentos que noutros tempos eram impensáveis.

Os cânticos que aqui foram referidos, também há já muitos anos que não se praticam. Aquilo que se mantém e está ainda enraizado na  mente das gentes da Quarta-Feira e de um modo geral na freguesia de Sortelha é a abstinência de carne nas sextas-feiras da Quaresma e o jejum na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa, que ainda são observados e respeitados pela maioria da população.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Parabéns ao Ti Felismino e à Ti Delfina

Em primeiro lugar aqui ficam os parabéns a este casal da Quarta-Feira pelos 60 anos de casamento que comemoraram no passado dia 14 de Fevereiro, juntamente com os seus filhos, netos, genros e nora.

A felicidade que este amor de mais de meio século irradia é algo extraordinário, pois nota-se que foi construído no dia a dia com base num esforço solidário e comum que atualmente é cada vez mais raro, visto que nem todos os casais são capazes de enfrentar com esperança e dignidade as dificuldades que surgem, naturalmente, ao longo de uma convivência tão extensa.
O Ti Felismino e a Ti Delfina souberam transformar os obstáculos do caminho em pedras preciosas e, por isso, são um exemplo de amor e união e até um exemplo de vida.
Que continuem por muitos e longos anos a ser a companhia um do outro.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Recolha das Janeiras na Quarta-Feira

Hoje dia 18 de Fevereiro foi feito o peditório das janeiras e amanhã dia 19 serão arrematadas em hasta pública à saída da missa as chouriças e as restantes ofertas, cujo valor reverterá a favor da festa de Nossa Senhora do Desterro de 2013.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Faleceu o Senhor Domingos Pires

Hoje, dia 4 de Fevereiro faleceu o senhor Domingos Pires com 84 anos de idade. Nasceu no dia 13/07/1927, era filho de Manuel Pires e Joaquina Leal, casado com Virginia de Jesus. Era irmão de Amadeu Pires, José Pires e António Pires. Paz à sua alma.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Óh frio vai-te embora!!!!

Na Quarta-Feira o frio é de rachar, os tanques e as zonas sombrias têm muito caramelo e as chaminés não param de deitar fumo. Parece que o inverno só agora está a chegar. 
Durante a noite as temperaturas são negativas e durante o dia também são bastante baixas.
Ainda assim a Quarta-Feira é encantadora, pois aqui o lume e o aconchego das lareiras tem outro "sabor" que certamanete os potentes sistemas de aquecimento das cidades não têm.
É verdade que não há inverno sem frio e gelo mas na Quarta-Feira também não há casas sem lareira...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Dia 4 de Fevereiro os Guardiões da Lua apresentam:


Texto de João Reis
Encenação e cenografia de João Reis
Actores: Realizada por quinze actores do grupo de teatro "Guardiões da Lua"
Comédia

         Sinopse da peça "Os filhos do vento e da lua":

Uma família itinerante de ciganos, chega de carroça a uma aldeia onde monta o acampamento para descontentamento dos habitantes locais. Apesar da má fama que têm e da rejeição, eles só querem sobreviver. Pedem esmola (as mulheres e as crianças) e o cigano faz trabalhos em verga para arranjarem dinheiro para o casamento da filha prometida, Carmem e Rafael. Também se vão apropriando, aqui e alem do alheio, o que lhes traz problemas com os guardas Birra e Ramiro.
Entretanto a filha Carmem, sonhadora que deixar a vida de cigana e renega a sua raça fugindo com um rapaz, Henrique, filho do guarda Ramiro. Na noite em que a mãe Rafael e a “Guardiã” matriarca, Esmeralda, vêm ao acampamento a combinar a data do casamento e a “esminar” a Carmem, ver se ela tem tudo no sítio para se casar, foge com o Henrique para Espanha. Assim é expulsa pela matriarca da raça cigana. A severidade da guardiã dos costumes e tradições da raça cigana não tem outro remédio senão anular o casamento e renega-la para sempre da sua raça. Entretanto o pai de Henrique, o guarda Ramiro, vem ao acampamento procurar o filho e tirar satisfações dos ciganos e quando todos os ciganos se vão precipitar para cima dele… ele vê a sua paixão de juventude. Arrebatados os dois e para surpresa de todos ela não é mais que a guardiã da moral, dos costumes e tradições dos ciganos; a matriarca Esmeralda.  



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Vamos todos ajudar o Aníbal !




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A Presidência da República emitiu esta sexta-feira à noite uma nota a agradecer ao indivíduo que pagou um bolo de arroz e um sumo ao Presidente, depois de o encontrar em Santo Tirso, à porta de uma pastelaria.

Cavaco estava apenas de passagem para uma inauguração, mas o indivíduo tinha acabado de ver nas notícias as declarações do Presidente, onde lamentou que o que ganha não chega para fazer face às despesas.

«Tinha acabado de ver nas notícias e quando saio à rua, dou de caras com ele. Disse-lhe logo que dinheiro não dava, porque depois ele gastava tudo no BPN, mas aceitei pagar-lhe um bolo e um sumo», relata o indivíduo: «Os olhos do Presidente arregalaram e só me perguntou se o sumo podia ser néctar.»

Na nota da Presidência da República pode ler-se que «o Presidente da República ficou muito comovido com a oferta daquele cidadão e com o tamanho do bolo de arroz, que chegou para a Primeira Dama».


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Primeiro Aniversário do Blog da Quarta-Feira

Hoje dia 26 de Janeiro o Blog da nossa aldeia faz um ano, é ainda muito jovem e simples mas é um ponto de união dos Quartafeirenses que perto ou longe não esquecem a terra onde estão as memórias da sua infância.
Aos leitores e visitantes que gostam aqui fica a promessa de, sempre que possível, continuar a colocar assuntos relacionados com a nossa aldeia, aos que não gostam…que tenham paciência.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Carnaval da Nossa Aldeia

O Carnaval ou Entrudo, é desde há longa data, uma das festividades mais comemoradas na Quarta Feira. Nesse dia a refeição principal é constituída por carne de porco, especialmente os pés, orelhas, focinho e outra carne da cabeça sem esquecer o rabo. Quando o porco não tem rabo, por qualquer razão, há logo na matança quem diga: “faz falta para dia de Entrudo”.
Na Quarta Feira, semanas ou meses antes é costume juntar-se um grupo de rapazes para distribuírem entre eles os papeis que cada um vai desempenhar na chamada “Fama do Entrudo”.
Mas o que é afinal a “Fama do Entrudo” ou simplesmente a “Fama”, como vulgarmente aqui é chamada?
A “Fama” é então um conjunto de quadras, elaboradas por esse tal grupo de rapazes, em que se conta a vida do “Santo Entrudo” desde o seu nascimento, engenhosamente inventado, o seu percurso desde longa distância, durante o qual arranja “esposa”, com peripécias de toda a ordem até à sua chegada. Essa rapaziada dedica-se à investigação dos pontos fracos das pessoas, especialmente das raparigas e sua publicação, para vergonha das mesmas, “rematando” no final com avisos para que os fracassos que aconteceram não voltem a suceder, prometendo nesse caso vir a denunciá-las no ano seguinte.
Para dar corpo a todo o cerimonial, os rapazes reúnem-se à noite para comporem a sua “obra”. No meio do grupo há sempre alguém com maior capacidade de imaginação e com uma certa veia poética, que se encarrega da redação da fama, sempre em quadras, enquanto os outros vão sugerindo ideias e contando factos de que tenham conhecimento, para serem postos a descoberto.
A Fama começa por narrar, sempre na primeira pessoa, de um modo grotesco, o nascimento do Entrudo, a sua vida sempre difícil e dramática com acontecimentos de toda a ordem. Seguidamente, trata da viagem, também ela cheia de dificuldades, desde o meio de transporte utilizado até à fome a que por vezes faz alusão, à dormida, geralmente no cortelho do “marrano” ou numa “hospedaria” de classe semelhante. Durante a viagem, ele vai arranjar maneira de uma forma ardilosa, de “roubar”, a filha a alguém que seja já pessoa de conhecimento do público, de uma aldeia vizinha, para dar mais enfase ao espectáculo, sobretudo quando o próprio está presente. Este, meneando a cabeça, esboça quase sempre frases do tipo “És munta burro”, mas nem por isso deixa de rir com os factos narrados a seu respeito, pois como aqui se diz: “ É Carnaval e ninguém leva a mal”.
Seguidamente, já acompanhado da “mulher”, prossegue a viagem sempre caracterizada por acontecimentos rocambolescos, entre os quais tem de roubar um burro para si e outro para a “esposa”. Uma vez em posse de “boas montadas”, adquiridas das mais variadas formas, mas em que o Entrudo prega sempre qualquer partida ao dono, o “casal” prossegue então a viagem até ao local do destino, neste caso a nossa Quarta Feira.
Ao chegar à aldeia, entra em contacto com alguém, a quem vai pedir alguns préstimos, como sejam ferrar o burro, fazer a barba, “dar um copo” etc.. Nestes casos vai pedir, com certa graça para todos, a um ferreiro, por exemplo, para curar o burro, e é capaz de pedir ao veterinário para lho ferrar e assim por diante, procurando de qualquer modo que o povo ria a plenos pulmões.
Após ter feito a barba, ferrado o burro, maquilhagem à esposa e sabe-se lá o quê, ele aí está a apresentar-se ao publico em tom ameaçador, referindo-se aos avisos que fizera no ano anterior, os quais foram desrespeitados. Eis a razão da sua presença ali, para os denunciar de novo, começando nesse momento as denuncias dos factos que, segundo ele, aconteceram durante o ano, embora sejam apenas fruto da imaginação do autor. Este declara que esses acontecimentos são verídicos e têm de ser castigados, com a infâmia da denúncia em praça pública.
Depois de “desfolhar todo o reportório”, volta a ameaçar os ouvintes, faz as despedidas e vai-se embora, disparando para o ar, com uma caçadeira, dois tiros de pólvora seca.
Com a finalidade de montarem todo o cerimonial, no dia de Entrudo os rapazes pedem dois burros, que são devidamente enfeitados, um para o Entrudo e outro para a “esposa”.
Num lugar escondido, onde apenas a pequenada gosta de ir espreitar, fazem-se todos os preparativos.
O Entrudo, com a cara pintada a preceito mas sem a máscara, vem montado num dos burros, trazendo na mão o “livro da fama”. A mulher, do meso modo, devidamente caracterizada a preceito e maquilhada, pois de um rapaz se trata, vem também montada noutro burro, geralmente bordando uma pequena peça de linho. Os dois burros são guiados por dois homens, vestindo uniformes militares e trazendo cada um ao ombro a sua arma, para imporem à multidão todo o respeito que o ato merece.
  
 

  
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

As Festas na Freguesia de Sortelha

O povo de Sortelha possui tradições muito ligadas à religião, pelo que a maior parte das suas festas são de carácter religioso.
Geralmente as festas são compostas de duas partes bem distintas: uma primeira parte religiosa, em que é festejado cada um dos santos da terra ( Stº Antão, Stº António, etc ) com as respectivas cerimónias religiosas, entre as quais as tradicionais procissões e uma outra parte profana, nas tardes do dia da festa e também no dia seguinte em que o povo dá largas à sua alegria e festeja das mais variadas maneiras aquilo a que chama “ a segunda feira da festa.
É neste dia que têm lugar as actividades de carácter lúdico. Para além da missa, que costuma ser celebrada por volta do meio dia, não há nesse dia qualquer outra ocupação que não seja o divertimento. Após o almoço as pessoas vão-se juntando nos cafés ou nos lugares onde se costuma realizar o tradicional baile. Como o dia é de festa e não há nada para fazer, existe sempre alguém que convida um grupo para um jogo, ideia que geralmente é bem aceite pelos presentes. Decide-se qual a modalidade, se não foi previamente referida no acto do convite e o jogo inicia-se. Um dos jogos que goza de preferência dos habitantes de Sortelha nestas ocasiões é o jogo da malha, embora se joguem outros, como a raiola ou vintém, a pétanque ( petanca ), o jogo do galo, o jogo do pau ensebado, as corridas de burros, as corridas de sacos, etc.
Entretanto, enquanto os mais velhos e as crianças jogam, a juventude, rapazes e raparigas festejam a seu modo aquele dia de folga por que tanto anseiam ao longo do ano, abrilhantando com os seus trajes domingueiros e sobretudo com muita alegria, o grandioso baile que nessa data é acontecimento de grande importância local.
Ao som de um tocador ou de um conjunto musical, outrora ao som da concertina, o largo enche-se de gente. É ali que rapazes e raparigas tantas vezes iniciam os seus namoricos, dado que o momento é de euforia festiva e proporciona uma certa desinibição necessária para se lançarem uns belos piropos ou umas declarações de amor.
Geralmente também não faltam nas varandas circundantes e noutros lugares propícios à observação, espectadores atentos, principalmente mulheres, com maior espírito de atenção a estas coisas que vão comentando os comportamentos dos pares que animam o espectáculo do baile. Nada lhes escapa e se alguém dança com o mesmo par várias vezes, torna-se logo alvo da sua observação e há logo alguém que diz que já namoram: - “Eles andam muito apitchados”.
De um modo geral, salvo algumas excepções, é assim que decorrem os dias de festa em Sortelha e nas suas anexas.
As principais festas da freguesia são: as festa de Stº Antão e a de Stº António em Sortelha, a festa da Senhora do Desterro na Quarta-Feira, pois a da Senhora de Fátima que costumava ser em Maio já não se tem realizado, a festa da Senhora da Guia nas Caldeirinhas, a festa de Stª Bárbara no Dirão da Rua e a festa da Senhora de Fátima celebrada na Azenha e na Ribeira da Nave.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Na Quarta-Feira a chuva é pouca e o frio é muito

À semelhança do último Outono também o Inverno está a ser muito pobre em chuva.
Ao que parece, o que veio mesmo para ficar foi o frio, pois durante a noite e de madrugada as temperuras são negativas. O que vale é que na Quarta-Feira a lenha é de boa qualidade!!!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Declaração de IRS




Nota importante:
 
Na declaração de rendimentos de 2011, na rubrica "Pessoas a Cargo", não esquecer de indicar os nomes do Presidente da República, dos membros do Governo, dos deputados parlamentares, dos gestores das Empresas Públicas e de todos os outros f.d.p. que comem do nosso bolso.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Mensagem de Natal de D. Manuel Felício ( Bispo da Guarda ) - O Natal já passou mas o conteúdo é interessante.


Natal – nasceu Jesus e renasce a esperança

Voltamos a viver o Natal em
situação de crise, portanto com sofrimento acrescido para muitas pessoas e
famílias. Diminuem os ordenados, cresce o número dos que perdem emprego, aumentam
os impostos e taxas para níveis muito desconfortáveis, pondo em causa a próprio
sustentabilidade económica da sociedade; o poder de compra desce todos os dias,
ainda que, em geral, de forma silenciosa. As pessoas sofrem e aumentam os casos
de pobreza, sendo, com frequência pobreza envergonhada.

Por outro lado, sabemos que,
apesar de a população mundial ter ultrapassado, há poucas semanas, o limite dos
7 mil milhões, há recursos materiais suficientes para todos. Não chegam é para
manter hábitos de consumo material desajustados à realidade quer das
necessidades verdadeiras das pessoas quer da disponibilidade dos bens criados.
Por isso são já muitos os profetas da actualidade que pedem uma mudança de
paradigma nos hábitos e nas práticas das pessoas e da sociedade. São poucos,
porém, os que arriscam definir os caminhos desse novo paradigma.

Do Presépio de Belém vêm-nos
indicações para definirmos bem o modelo de vida em sociedade que as novas
circunstâncias exigem. Assim, o Menino de Belém, sendo Senhor do mundo,
contentou-se com as palhinhas de uma manjedoira e a companhia de alguns animais
para berço do Seu nascimento, sob o olhar atento do Pai e da Mãe. Recomenda-nos
sobriedade.

Também, desejando prestar um
serviço ao mundo e a cada pessoa em concreto, sendo Deus e Senhor, assumiu a
condição humana até às últimas consequências, sem qualquer reserva. Aceitou
passar pelo sofrimento e pela rejeição social, desde o primeiro momento da sua
entrada na história, porque não houve para ele lugar nas casas nem nas
hospedarias, partilhando, assim, a sorte dos excluídos.
Recomenda-nos a solidariedade.

Nasceu no seio de uma família,
onde reinava o amor incondicional e sem reservas entre marido e esposa; o amor
total para aquele Filho; a procura de soluções e partilha de sofrimento nas
horas difíceis – não foi fácil aceitar que o nascimento fosse numa gruta de
animais, como não foi fácil a fuga para o Egipto ou a perda do Menino em
Jerusalém nos tempos da sua adolescência.
Esta é uma lição de família.

Hoje continuamos a precisar de
famílias assim, assentes no amor e na fidelidade sem condições entre os
esposos; famílias onde os filhos se sentem sempre bem acolhidos, amados e
valorizados; famílias onde os idosos se sentem em casa e  nunca abandonados; famílias que sejam
verdadeiramente escolas de valores humanos e cristãos essenciais para a
cidadania.

O Natal, festa comemorativa do
Nascimento de Jesus, é também festa da Família. Por isso pede novas atitudes da
sociedade e das leis que a regulam para com a instituição familiar. De facto,
assistimos a hábitos instalados de desprezo pela realidade da família, que só
podem gerar sofrimento das pessoas e cada vez mais exclusão social.

Que este Natal seja, de verdade,
nascimento de Jesus no coração e na vida das pessoas e instituições, incluindo
a organização social que temos, para que a valorização das famílias, a
sobriedade no consumo, a solidariedade dirigida à situação de cada um, na
proximidade e atenção diárias sejam parte essencial da mudança de paradigma da
nossa vida em sociedade tão apregoada nos actuais tempos de crise.

Guarda e Paço Episcopal, 8 de Dezembro de 2011

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

sábado, 7 de janeiro de 2012

Hoje dia 7 de Janeiro realizou-se a Volta da Santa 2012. Os cigarrinhos... esses foram poucos...Será que é da Troika?


O que diz o povo sobre o mês de Janeiro

A água de Janeiro, vale dinheiro.

Janeiro quente traz o diabo no ventre.

Ao luar de Janeiro, se conta dinheiro.

Em Janeiro, um porco ao sol outro no fumeiro.

Os bons dias em Janeiro vêm-se a pagar em Fevereiro. 

A 20 de Janeiro, uma hora por inteiro e quem bem contar, hora e meia vai achar.

Se queres ser bom ervilheiro, semeia no crescente de Janeiro.

Janeiro greleiro, não enche o celeiro.

Em Janeiro sobe ao outeiro. Se vires verdejar, põe-te a chorar. Se vires terrear põe-te a cantar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As Janeiras

Em tempos recuados,, durante o mês de Janeiro, rapazes e raparigas, juntavam-se à noite, depois da ceia para irem cantar as Janeiras às portas das pessoas, desejando-lhes as boas festas e recolhiam alguns donativos para no final fazerem uma borga.
Quando chegavam às portas das casas, era costume cantarem algumas quadras, das quais se destacam as seguintes:
Boa noite, Boa noite !
Que seja de alegria!
Quem nos manda é o Rei da Glória
Filho da Virgem Maria.

“Inda” agora aqui “tcheguei”
E “à” por o “pei” na escada
Logo “mê” coração “dixe”
Aqui mora gente honrada.

Viva lá senhora……
Raminho de “amendoêra”
“Indanda” cá neste mundo
Já no céu tem a “cadêra”

Esta casa é muito bela,
E forrada a “denhêro”
Quem dentro dela passeia
É um nobre “cavalhêro”

Levante-se lá senhora
Desse banco de cortiça
Venha-me dar as “Janêras”
Ó morcela ó “tchoriça”

Quando a família visitada não vinha à porta e não respondia, ou se respondia mal, então nesse caso cantavam uma quadra em desabono da casa, tal como:

Vamo-nos daqui embora
Vamos daqui abalar
Que estes “barbas de farelo”
Não têm nada que nos dar.











domingo, 1 de janeiro de 2012

A Volta da Santa

O Natal Já lá vai e aproxima-se o dia de reis que na Quarta-Feira não tem qualquer celebração especial. Todavia, porque na freguesia vizinha de Águas Belas existe uma tradição antiga coincidente com o dia de reis, que se estende a duas das anexas de Sortelha, talvez por uma razão de proximidade, aqui fica uma pequena referência a essa tradição, a que o povo chama “ A Volta da Santa”.
Na Quarta-Feira conta-se que há muitos anos, nas terras do termo de Águas Belas e possivelmente também na Quarta-Feira e Dirão da Rua, desaparecia todos os anos uma pessoa sem que alguém soubesse o que lhe tinha acontecido.
Assustados com o insólito acontecimento, os habitantes prometeram dar todos os anos, no dia de reis, uma volta com a imagem de Nossa Senhora por toda a freguesia de Águas Belas, incluindo no trajeto também as aldeias de Quarta-Feira e Dirão da Rua que, embora pertencendo à freguesia de Sortelha, ficam mais próximas de Águas Belas.
Uma comissão de quatro mordomos vai a todas as casas dar a imagem de Nossa Senhora a beijar a cada uma das famílias, dizendo à chegada a cada casa:
“ Nossa Senhora entra nesta casa” – ao que a família visitada responde: - “Nossa Senhora é que cá queremos”. Após esta resposta, os mordomos entram e dizem: - “Boas Festas corporais e espirituais para toda a família”, seguidamente e com o devido respeito, os elementos da família presentes ajoelham-se e beijam o quadro de Nossa Senhora, que um dos homens traz pendurado ao pescoço.
Terminada esta parte, a família oferece algumas bebidas e bolos, que previamente colocou sobre a mesa, mas que os visitantes só aceitam de onde em onde, dado o grande número de casas que têm que visitar não lhes permitir beberem em todo o lado.
Finalmente, não se sabendo muito bem porquê, os homens deixam maços de cigarros para as pessoas fumarem. Nesse dia, jovens e adultos, todos fumam um cigarro dizendo: - “Este não faz mal porque é da Santa”.
Cumprindo anualmente esta promessa, segundo os mais antigos contam, nunca mais desapareceu ninguém até ao dia em que, por causa de um grande nevão, não puderam dar a Volta e, de novo, uma pessoa desapareceu. Após esse acontecimento, prometeram que a “Volta” seria dada independentemente das condições climatéricas, o que ainda hoje acontece.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Assento de Batismo do Ti Eusébio Leal


A figura do ti Eusébio é ainda hoje um nome bastante conhecido entre os moradores da Quarta-Feira, no entanto já ninguém tinha a mais pequena ideia de quem teriam sido os pais deste homem.
Para desmistificar mais um pouco da história deste homem e da Quarta-Feira aqui fica um documento retirado do livro de assentos de batismo do ano de 1886 da freguesia de Sortelha que consta no arquivo distrital da Guarda.



Documento Original





Para melhor se perceber o que está escrito no documento aqui está a transcrição


Aos treze dias do mês de Setembro de mil oitocentos e oitenta e seis, nesta paróquia e igreja de Sortelha, Concelho do Sabugal, Diocese da Guarda, baptizei solenemente um individuo do sexo masculino a quem dei o nome de Eusébio e que nasceu nesta freguesia pelas três horas da manhã do dia cinco do dito mês, e ano, filho legitimo e primeiro deste nome de António Leal, jornaleiro e Maxima Clara, sem profissão, naturais, moradores, paroquianos e residentes nesta freguesia, neto paterno de João Leal e Rita Maria e materno de Luiz da Costa Clara e Josefa Bairras. Foram padrinhos Eusébio Lopes Soares e sua mulher Francisca Leal, proprietários naturais desta freguesia, os quais sei serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de lido e inferido perante os padrinhos o assino só com o padrinho por não saber escrever a madrinha.
Escrito por
O padrinho – Eusébio Lopes Soares
O Vigário – Agostinho Pereira

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

2011 aproxima-se do fim

O ano de 2011 está quase a finalizar. Enquanto isso acontece, a humanidade continua à procura da verdadeira felicidade e na verdade talvez não haja nada mais legítimo que isso.
A felicidade não é um estado final ao qual se chega e, depois disso, não há mais nada a fazer, tal como o sucesso, pois uma coisa é chegar lá, outra bem diferente e mais trabalhosa é preservar o que foi conquistado.
A felicidade que a humanidade, confusamente, procura não está em nenhum lugar específico, nem tão pouco relacionada com nenhum ato especial. A felicidade é uma conquista que se faz todos os dias em todos os momentos, em cada pequena e grande atitude.
Com este espírito da conquista da felicidade e com o pensamento que nenhum ano será realmente novo se continuarmos a cometer os mesmos erros dos anos velhos aqui ficam os votos de que o ano novo que se inicia seja para todos os Quartafeirenses um ano de prosperidade em cada dia e cada momento possa ser vivido intensamente com muita paz e esperança, pois a vida é uma dádiva e cada instante uma bênção de Deus.

Recordar o Senhor Padre José Pires é recordar mais um pouco da História da Quarta-Feira, pois este homem assegurou, durante mais de trinta anos, o serviço religioso desta aldeia.