quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A roupa de andar à cote


Na Quarta-Feira ainda há roupa de andar à cote, coisa que nas cidades já não existe.

A roupa de andar à cote é o nome que à boa moda Quartafeirense denomina a roupa que vai ficando mais usada mas que ainda é boa para usar nas lides domésticas e nos trabalhos do campo.

A roupa de andar à cote é pois uma expressão usada na Quarta-Feira que está bem enraizada no nosso vocabulário e que para nós Quartafeirenses é normal, no entanto, fora da Quarta-Feira são poucos os que conhecem a expressão.

Na Quarta-Feira havia e continua a haver roupa de andar à cote e roupa dos domingos, ao contrário dos meios urbanos em que está tudo no mesmo saco e tanto faz ser dia de semana, como sábado ou domingo que os costumes são sempre os mesmos e as rotinas em nada se diferenciam ao longo da semana.

Vestir roupa de andar à cote é bom , pois é sinal que se está na Quarta-Feira e não é preciso roupa que nem sequer se pode sujar porque parece mal e é incómodo.

Aqui nada fica mal, nada é feio e qualquer Quartafeirense tem uma identidade própria, é mais respeitado e mais reconhecido com uma simples roupa de andar à cote do que qualquer pessoa perdida na multidão de uma cidade caminhando “sozinha por entre a gente” com a melhor roupa que ninguém repara nela e não marca qualquer diferença, pois afinal nesses meios a roupa é toda nova, toda igual e tudo é normal.

Haja roupa de andar à cote que afinal essa é que não parece mal.

domingo, 7 de outubro de 2012

Batizado de mais uma menina cá da terra

Ontem dia 6 de Outubro foi batizada a menina Ariana Gonçalves, filha de Firmino Gonçalves e de Elsa Guerra, neta de José e Joaquina Gonçalves.
Felecidades para a menina, papás e avós.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Os serões de antigamente


Para contar ao pormenor não será fácil porque todos sabem que “cá o rapaz” não é propriamente do tempo dos verdadeiros serões à moda antiga, apesar de ter já ouvido contar muitas vezes, a várias pessoas da Quarta-Feira, recordações de outros tempos, de forma nostálgica, o quão agradáveis eram os tais serões que hoje, infelizmente, devido a condicionalismos vários já não se praticam.
Seria pois necessário recuar bastante no tempo, por volta dos anos cinquenta, sessenta ou setenta para podermos compreender como eram na realidade os serões Quartafeirenses daquela época.
Tudo começava depois de jantar, após mais um dia cansativo nas lides do campo.
Os vizinhos reuniam-se na casa uns dos outros à volta da lareira nas frias noites de Inverno, onde à luz da candeia completavam tarefas que à luz do dia não foi possível realizar.
As mulheres fiavam a lã, o linho ou remendavam e faziam algumas roupas como camisolas de lã, meias e outras. Os homens entretinham-se com o tradicional jogo de cartas, falavam do tempo, das colheitas ou das sementeiras e muitas vezes planeavam-se trabalhos para o dia seguinte. As raparigas passavam o tempo a fazer renda ou a bordar, a pensar no enxoval enquanto ao lume se assavam umas castanhas que antigamente havia em abundância na Quarta-Feira.
Chegada a hora de ir embora, cada um pegava nos seus agasalhos e com votos de boa noite e um até amanhã regressavam a casa.
Segundo se conta na Quarta-Feira, um famoso lugar de serões era na loja da casa que hoje é do Ti Manuel Marques e da Ti Prudência.
Era lindo, era salutar e deixaram saudades os serões vividos e contados à luz da candeia.  

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mais uma dedicatória à nossa Quarta-Feira


Quarta-Feira tão linda e tão bela
És das aldeias a mais singela
Gente boa não te falta
Já diziam os meus avós
Oh quem dera que houvesse mais
Povos como nós

É Povo trabalhador
Que ao trabalho tem amor
E odeia toda a preguiça
Trabalha toda a semana
Mas ao domingo deixa a cama
Para ir à Santa Missa


Situada em frente à Serra
Que toda a gente conhece
Como Serra da Estrela
Só quem já a visitou
É que pode confirmar
O elogio que faço dela


Tem vinho e muito azeite
O nascente na Ladeira
Não é novidade nenhuma
Pois cantava assim na Quarta-Feira
O grande Ti Luís Cunha


Quem no verão por aqui passa
Encontra-lhe tanta graça
Que até se lhe houve dizer
Oh que linda é esta terra
Situada cá na Serra
Quem me dera cá viver

 

Quem a quiser visitar
Basta apenas por aqui passar
E verá que mete cobiça
De certeza que  vai adorar


 

 

 

 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A Sensação de Sexta-Feira versus Domingo à tarde


Depois de uma semana de trabalho “árduo” e à medida que a sexta-feira e o fim de semana se aproxima as nossas mentes vão ficando com uma predisposição diferente, isto é fica-se mais bem disposto, mais motivado e com uma vontade enorme que a hora de saída chegue o mais rápido possível, pois afinal o descanso está a chegar e a Quarta-Feira a aguardar por aqueles que no fim de semana a vão visitar.

Voltar à Quarta-Feira depois de uma semana de trabalho é sem dúvida a melhor maneira de recarregar baterias para a semana seguinte, pois aqui, como diz a juventude “não há stress” ou “tá-se bem”, aqui a liberdade é plena uma vez que cada um pode fazer do tempo aquilo que bem lhe apetecer, como ir ao café, fazer uma caminhada, andar de bicicleta ou de mota, ir à lenha, cuidar dos campos ou simplesmente dormir se for essa a vontade porque aqui não há absolutamente nada que incomode, antes pelo contrário, na Quarta-Feira ainda há algumas cabrinhas e ovelhas que com os seus guizos ajudam a embalar aqueles que querem relaxar.

A sensação de regressar sexta-feira à Quarta-Feira, respirar o ar puro, rever as nossas gentes, ver como estão as plantas, sentir os cheiros de cada estação, são tudo emoções que em tudo contrastam com as de domingo à tarde em que o fim de semana está a terminar e a segunda-feira a chegar com todas as rotinas que muitas vezes pouco ou nada apetecem mas que têm inevitavelmente de ser cumpridas.

Na Quarta-Feira o tempo é mais veloz, pois aqui o tempo passa a voar e rapidamente se esgota o fim de semana ou as férias, pelo menos é uma opinião partilhada por muitos dos nossos emigrantes ou por outros que aqui vêm com alguma regularidade, ao passo que noutros locais, especialmente nos sítios em que trabalhamos, o tempo corre mas é devagar parecendo mesmo que o tempo está a parar ou que não quer andar.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Procissão de São Martinho ( Em Sortelha )


No dia de São Martinho,  os rapazes novos e os homens amigos da paródia passavam pelas ruas principais da terra levando um burro com um pipo de vinho no lombo, seguro entre duas faixas de palha.

O pipo tinha a torneira virada para trás, sobre o rabo do burro. De vez em quando paravam ( sobretudo em frente à casa dos maiores consumidores de vinho) bebiam, enalteciam as virtudes do vinho e dos bêbados mais afamados da terra e convidavam quem parava para ver e para beber.

Para o efeito diziam:

Queres vinho?

Vai tirá-lo ao rabo do burro!...
A paródia prosseguia até que esgotassem o vinho.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

“ Este ano temos que beber “munta” água”


Quem o diz é Joaquim Gomes, homem entendido no vinho e na vinha.
O saber empírico, isto é, o saber de experiência feito permite tirar ilações que a própria ciência, muitas vezes, não consegue explicar.
Segundo a opinião deste homem, este ano será sim um ano de vinho mas não aqui, pois na Quarta-Feira, as uvas , devido às condições climatéricas, não se desenvolveram como é costume, contudo sempre irá dar para encher as pipas mais pequenas e para fazer umas litradas de bagaço nas tradicionais caldeiras que são sempre um motivo para uns serões animados com uns figos secos pelo meio para dar vida e forma a uma tradição tão antiga cuja origem já se perde na nossa memória.
Pelo sim pelo não o melhor, este ano, é aceitar mesmo os conselhos de quem entende e neste caso o Joaquim Gomes aconselha beber “munta água” que pelo menos para beber ainda não falta.

A Volta fez a volta por cá


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O que diz a imprensa sobre a emigração: "Emigrantes criticam o custo de vida em Portugal" -

Emigrantes não sabem como se consegue viver cá
Andam aí, um pouco por todo lado. Facilmente reconhecidos, com as t’shirts Nike ou Adidas, a camisola do Cristiano Ronaldo ou chapéu na cabeça, ostentando carros topo de gama, com música em altos sons, e com a bandeira nacional estampada nos vidros. Falamos dos emigrantes, que neste mês de Agosto, que está a chegar ao fim, deram vida a muitas vilas e aldeias da Beira Interior, algumas delas desertificadas É o chamado “Querido mês de Agosto”, já imortalizado em filme, que faz com que, nesta época do ano, em algumas terras duplique a população. Mas só mesmo nesta altura, porque de futuro, muitos dizem não querer voltar.
É o caso de Maria José. Aos 58 anos, e à beira de se reformar, já não pensa num regresso a casa, no concelho da Covilhã. Casada, com um filho, já tem dois netos e, afirma “a minha casa é lá, não é aqui. Aqui não tenho nada”. Já chegou a ter. Construiu uma moradia que, passados alguns anos, acabou por vender, já que, para passar uns dias de férias, no Verão, “ a casa da minha mãe basta”. A opção foi realizar dinheiro para, sim, fazer uma casa no sul de França. “É por lá que acabarei os últimos dias da minha vida. Tenho lá o filho, os netos, e eles nunca de lá virão, apesar de também virem cá passar uns dias de férias”. Até porque não vê vantagens algumas num regresso. “Então, cá é tudo tão caro…. Impostos, luz, água, as mercearias, os carros, fogo, sei lá. Pelo que vejo, lá vivemos melhor. Ganhamos mais e o custo de vida não é tão grande”. O filho ainda fala português, embora esteja casado com uma cidadã francesa. Já os netos, não falam, mas percebem tudo. “É sempre bom que pelo menos percebam a nossa língua. Em casa vamos falando para eles também aprenderem” frisa.

Já Vítor adora vir a Portugal. Mas também não pensa voltar para cá em definitivo. “Não. É lá que trabalho, ganho bem, tenho uma vida boa e cá, da maneira que isto está…. De certeza que não volto. Venho cá em Agosto ver a malta”.

Francisco está radicado na Suíça. Também já se reformou, tem dois filhos lá, que já estão “bem empregados” e por isso, vai também manter-se por lá, apesar de ter algum património na sua aldeia, no concelho da Covilhã. “Tenho uma casa e um apartamento. A casa é para mim, quando cá venho no Verão. E o apartamento foi uma maneira de empregar algum dinheiro que lá ganhei. Está alugada” afirma. Aos 67 anos, ainda equaciona a hipótese de um dia “vir de todo” mas “só quando já for mesmo velhinho. Antes não” assegura.



“A vida cá é muito cara”



Já Mário Batista, 63 anos, natural da Erada, concelho da Covilhã, ainda tem ideia de regressar, um dia, à sua terra natal. “Penso em voltar, um dia a Portugal. Mas só quando já for muito cansativo andar a fazer viagens de França para cá “ assegura.

Muito comunicativo, Mário explica-nos como começou a sua aventura por terras gaulesas. “Fui de assalto, em 1967. Andei nove horas para lá chegar. Era muito difícil, passei vários obstáculos. Tinha apenas 18 anos, nunca tinha saído de casa sozinho, fui para junto de gente que não conhecia, uma língua estrangeira, mas só lá estive dois meses sem trabalhar. A 1 de Abril desse ano comecei a trabalhar numa empresa à qual estive sempre ligado e posso dizer que nunca conheci o desemprego” assegura. Mário foi funcionário de uma empresa de construção civil, que se dedicava a obras públicas, na qual esteve até Abril deste ano. Agora está já reformado. “Cheguei a ser o encarregado geral” afirma, orgulhoso. Todos os anos regressa à Erada, no Verão. “Agora tenho mais tempo, é possível que venha mais vezes” afirma. A sua estada em França, na zona de Paris, apenas foi interrompida em 1970, quando teve que regressar para efectuar o serviço militar. “Fui para o Ultramar. Andei 24 meses na Guiné. Foi nessa altura que conheci a minha esposa” afirma. Do casamento, com uma jovem de Cortes do Meio, nasceram dois filhos, um rapaz e uma rapariga, que apesar de terem nascido em França, também eles vêm todos os anos à Erada. “Sim, costumam vir. Mas a vida deles é lá” afirma Mário.

Sobre o País que cá encontrou, Mário diz que vê muita gente, em centros comerciais, “mas só a ver. Comprar, nem por isso. Não se pode. A vida cá é muito cara. Não sei como é que as pessoas conseguem aqui viver. É preciso mesmo muita ginástica”

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Festa de Nossa Senhora do Desterro 2013

A festa de Nossa Senhora do Desterro no próximo ano será nos dias 10,11 e 12 de Agosto. No sábado a procissão de velas será às 20 horas e no domingo a missa que será seguida de procissão será às 15:30.
Ainda faltam uns dias para a festa mas assim os Quartafeirenses já podem marcar férias de forma a estarem prensentes neste evento que, na nossa aldeia, só acontece de três em três anos e que é sempre um bom motivo para o reencontro e para o reviver de emoções que faz tão bem aos nossos corações...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012