segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O São Martinho está a chegar

O São Martinho está a chegar à Quarta-Feira e o vinho está a ficar à maneira...
O Dia de São Martinho é celebrado anualmente a 11 de Novembro.
Este dia é uma das celebrações que marcam o Outono.
A lenda de São Martinho conta que certo dia, um dia um soldado romano chamado Martinho, estava a caminho da sua terra natal. O tempo estava muito frio e Martinho encontrou um mendigo cheio de frio que lhe pediu esmola. Martinho rasgou a sua capa em duas e deu uma ao mendigo. De reprente o frio parou e o tempo aqueceu. Este acontecimento acredita-se que tenha sido a recompensa por Martinho ter sido bom para com o mendigo.
A tradição do Dia de São Martinho é assar as castanhas e beber o vinho novo, produzido com a colheita do Verão anterior.
Por norma, na véspera e no Dia de São Martinho o tempo melhora e o sol aparece. Este acontecimento é conhecido como o Verão de São Martinho.



Provérbios de São Martinho
  • Por S. Martinho semeia fava e o linho.
  • Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
  • Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
  • No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.
  • No dia de S. Martinho, castanhas, pão e vinho.
  • No dia de S. Martinho com duas castanhas se faz um magustinho.
  • Dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.
  • Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Os "Tartulhos"


Que na Quarta-Feira qualquer estação é boa já todos sabemos mas os sítios onde nascem os “tartulhos”  é que nem todos sabem.
Os tartulhos são pois um “fruto” de outono que na Quarta-Feira há com alguma abundância logo que chegam as primeiras chuvas outonais e apanhá-los é algo divertido e, para quem gosta, comê-los ainda é melhor.
Tartulho assado na brasa com um “cainatchinha” de pão centeio e um copinho de vinho da Quarta-Feira é de facto um sabor único que nem todos podem ter o privilégio de provar, pois não é em todas as terras que há tartulhos e mesmo que os haja é necessário saber encontra-los.
Pois bem, aqui no nosso cantinho há muito deste material e mesmo que não se encontrem facilmente há sempre um vizinho que oferece alguns para a prova.
Com as chuvas que já caíram certamente que há muitos e bons, por isso vamos a eles por esses quintais a dentro…
Se o Gaspar ouve lá por Lisboa que os tartulhos são coisa boa ainda nos vai inventar mais um imposto a pagar por cada tartulho que cada um apanhar…por isso o melhor é comer e calar…

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mais um poema para a nossa "querida"... Quarta-Feira


Dá sentido à minha vida

Ter nascido na Quarta-Feira

Aldeia por mim tão querida

Doce aldeia, minha terra tão solheira

 

Na Quinta Velha ou Quinta Nova

Nos Pessegueiros ou na Cascalheira

No Cabecinho ou nas Barreiras

É tudo gente hospitaleira

Que tem valor e boas maneiras

 

A Quarta-Feira tem oliveiras

Tem frescura e muito pão

Aldeia das beiras

Que nos enche o coração

Ditados populares de Outubro

“Se em Outubro te sentires gelado, lembra-te do gado.”
“Outubro quente traz o diabo no ventre.”
“Em Outubro, o lume já é amigo.”
“Se queres alho cruzado, semeia-o no mês de Outubro.”
“Em Outubro não fies só lã; recolhe o teu milho e o teu feijão, senão de Inverno tens a tua barriga em vão.”
“Em Outubro meu trigo cubro.”
“Em Outubro semeia e cria, terás alegria.”
“Em Outubro paga tudo e recolhe tudo.”
“Logo que Outubro venha, procura lenha.”
“Em Outubro recolhe tudo.”
“Em Outubro sê prudente: guarda pão, guarda semente.”
“Se as andorinhas partirem em Outubro, seca tudo.”
“Em Outubro pega tudo.”
“Em Outubro sê prudente: guarda pão, guarda semente.”

“Em Outubro, o fogo ao rubro.”

“Outubro meio chuvoso, torna o lavrador venturoso.”

“Outubro suão, negaças de Verão.”

“Quando Outubro for erveiro, Guarda para Março o palheiro.”

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A roupa de andar à cote


Na Quarta-Feira ainda há roupa de andar à cote, coisa que nas cidades já não existe.

A roupa de andar à cote é o nome que à boa moda Quartafeirense denomina a roupa que vai ficando mais usada mas que ainda é boa para usar nas lides domésticas e nos trabalhos do campo.

A roupa de andar à cote é pois uma expressão usada na Quarta-Feira que está bem enraizada no nosso vocabulário e que para nós Quartafeirenses é normal, no entanto, fora da Quarta-Feira são poucos os que conhecem a expressão.

Na Quarta-Feira havia e continua a haver roupa de andar à cote e roupa dos domingos, ao contrário dos meios urbanos em que está tudo no mesmo saco e tanto faz ser dia de semana, como sábado ou domingo que os costumes são sempre os mesmos e as rotinas em nada se diferenciam ao longo da semana.

Vestir roupa de andar à cote é bom , pois é sinal que se está na Quarta-Feira e não é preciso roupa que nem sequer se pode sujar porque parece mal e é incómodo.

Aqui nada fica mal, nada é feio e qualquer Quartafeirense tem uma identidade própria, é mais respeitado e mais reconhecido com uma simples roupa de andar à cote do que qualquer pessoa perdida na multidão de uma cidade caminhando “sozinha por entre a gente” com a melhor roupa que ninguém repara nela e não marca qualquer diferença, pois afinal nesses meios a roupa é toda nova, toda igual e tudo é normal.

Haja roupa de andar à cote que afinal essa é que não parece mal.

domingo, 7 de outubro de 2012

Batizado de mais uma menina cá da terra

Ontem dia 6 de Outubro foi batizada a menina Ariana Gonçalves, filha de Firmino Gonçalves e de Elsa Guerra, neta de José e Joaquina Gonçalves.
Felecidades para a menina, papás e avós.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Os serões de antigamente


Para contar ao pormenor não será fácil porque todos sabem que “cá o rapaz” não é propriamente do tempo dos verdadeiros serões à moda antiga, apesar de ter já ouvido contar muitas vezes, a várias pessoas da Quarta-Feira, recordações de outros tempos, de forma nostálgica, o quão agradáveis eram os tais serões que hoje, infelizmente, devido a condicionalismos vários já não se praticam.
Seria pois necessário recuar bastante no tempo, por volta dos anos cinquenta, sessenta ou setenta para podermos compreender como eram na realidade os serões Quartafeirenses daquela época.
Tudo começava depois de jantar, após mais um dia cansativo nas lides do campo.
Os vizinhos reuniam-se na casa uns dos outros à volta da lareira nas frias noites de Inverno, onde à luz da candeia completavam tarefas que à luz do dia não foi possível realizar.
As mulheres fiavam a lã, o linho ou remendavam e faziam algumas roupas como camisolas de lã, meias e outras. Os homens entretinham-se com o tradicional jogo de cartas, falavam do tempo, das colheitas ou das sementeiras e muitas vezes planeavam-se trabalhos para o dia seguinte. As raparigas passavam o tempo a fazer renda ou a bordar, a pensar no enxoval enquanto ao lume se assavam umas castanhas que antigamente havia em abundância na Quarta-Feira.
Chegada a hora de ir embora, cada um pegava nos seus agasalhos e com votos de boa noite e um até amanhã regressavam a casa.
Segundo se conta na Quarta-Feira, um famoso lugar de serões era na loja da casa que hoje é do Ti Manuel Marques e da Ti Prudência.
Era lindo, era salutar e deixaram saudades os serões vividos e contados à luz da candeia.  

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mais uma dedicatória à nossa Quarta-Feira


Quarta-Feira tão linda e tão bela
És das aldeias a mais singela
Gente boa não te falta
Já diziam os meus avós
Oh quem dera que houvesse mais
Povos como nós

É Povo trabalhador
Que ao trabalho tem amor
E odeia toda a preguiça
Trabalha toda a semana
Mas ao domingo deixa a cama
Para ir à Santa Missa


Situada em frente à Serra
Que toda a gente conhece
Como Serra da Estrela
Só quem já a visitou
É que pode confirmar
O elogio que faço dela


Tem vinho e muito azeite
O nascente na Ladeira
Não é novidade nenhuma
Pois cantava assim na Quarta-Feira
O grande Ti Luís Cunha


Quem no verão por aqui passa
Encontra-lhe tanta graça
Que até se lhe houve dizer
Oh que linda é esta terra
Situada cá na Serra
Quem me dera cá viver

 

Quem a quiser visitar
Basta apenas por aqui passar
E verá que mete cobiça
De certeza que  vai adorar


 

 

 

 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A Sensação de Sexta-Feira versus Domingo à tarde


Depois de uma semana de trabalho “árduo” e à medida que a sexta-feira e o fim de semana se aproxima as nossas mentes vão ficando com uma predisposição diferente, isto é fica-se mais bem disposto, mais motivado e com uma vontade enorme que a hora de saída chegue o mais rápido possível, pois afinal o descanso está a chegar e a Quarta-Feira a aguardar por aqueles que no fim de semana a vão visitar.

Voltar à Quarta-Feira depois de uma semana de trabalho é sem dúvida a melhor maneira de recarregar baterias para a semana seguinte, pois aqui, como diz a juventude “não há stress” ou “tá-se bem”, aqui a liberdade é plena uma vez que cada um pode fazer do tempo aquilo que bem lhe apetecer, como ir ao café, fazer uma caminhada, andar de bicicleta ou de mota, ir à lenha, cuidar dos campos ou simplesmente dormir se for essa a vontade porque aqui não há absolutamente nada que incomode, antes pelo contrário, na Quarta-Feira ainda há algumas cabrinhas e ovelhas que com os seus guizos ajudam a embalar aqueles que querem relaxar.

A sensação de regressar sexta-feira à Quarta-Feira, respirar o ar puro, rever as nossas gentes, ver como estão as plantas, sentir os cheiros de cada estação, são tudo emoções que em tudo contrastam com as de domingo à tarde em que o fim de semana está a terminar e a segunda-feira a chegar com todas as rotinas que muitas vezes pouco ou nada apetecem mas que têm inevitavelmente de ser cumpridas.

Na Quarta-Feira o tempo é mais veloz, pois aqui o tempo passa a voar e rapidamente se esgota o fim de semana ou as férias, pelo menos é uma opinião partilhada por muitos dos nossos emigrantes ou por outros que aqui vêm com alguma regularidade, ao passo que noutros locais, especialmente nos sítios em que trabalhamos, o tempo corre mas é devagar parecendo mesmo que o tempo está a parar ou que não quer andar.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Procissão de São Martinho ( Em Sortelha )


No dia de São Martinho,  os rapazes novos e os homens amigos da paródia passavam pelas ruas principais da terra levando um burro com um pipo de vinho no lombo, seguro entre duas faixas de palha.

O pipo tinha a torneira virada para trás, sobre o rabo do burro. De vez em quando paravam ( sobretudo em frente à casa dos maiores consumidores de vinho) bebiam, enalteciam as virtudes do vinho e dos bêbados mais afamados da terra e convidavam quem parava para ver e para beber.

Para o efeito diziam:

Queres vinho?

Vai tirá-lo ao rabo do burro!...
A paródia prosseguia até que esgotassem o vinho.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

“ Este ano temos que beber “munta” água”


Quem o diz é Joaquim Gomes, homem entendido no vinho e na vinha.
O saber empírico, isto é, o saber de experiência feito permite tirar ilações que a própria ciência, muitas vezes, não consegue explicar.
Segundo a opinião deste homem, este ano será sim um ano de vinho mas não aqui, pois na Quarta-Feira, as uvas , devido às condições climatéricas, não se desenvolveram como é costume, contudo sempre irá dar para encher as pipas mais pequenas e para fazer umas litradas de bagaço nas tradicionais caldeiras que são sempre um motivo para uns serões animados com uns figos secos pelo meio para dar vida e forma a uma tradição tão antiga cuja origem já se perde na nossa memória.
Pelo sim pelo não o melhor, este ano, é aceitar mesmo os conselhos de quem entende e neste caso o Joaquim Gomes aconselha beber “munta água” que pelo menos para beber ainda não falta.

A Volta fez a volta por cá


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O que diz a imprensa sobre a emigração: "Emigrantes criticam o custo de vida em Portugal" -

Emigrantes não sabem como se consegue viver cá
Andam aí, um pouco por todo lado. Facilmente reconhecidos, com as t’shirts Nike ou Adidas, a camisola do Cristiano Ronaldo ou chapéu na cabeça, ostentando carros topo de gama, com música em altos sons, e com a bandeira nacional estampada nos vidros. Falamos dos emigrantes, que neste mês de Agosto, que está a chegar ao fim, deram vida a muitas vilas e aldeias da Beira Interior, algumas delas desertificadas É o chamado “Querido mês de Agosto”, já imortalizado em filme, que faz com que, nesta época do ano, em algumas terras duplique a população. Mas só mesmo nesta altura, porque de futuro, muitos dizem não querer voltar.
É o caso de Maria José. Aos 58 anos, e à beira de se reformar, já não pensa num regresso a casa, no concelho da Covilhã. Casada, com um filho, já tem dois netos e, afirma “a minha casa é lá, não é aqui. Aqui não tenho nada”. Já chegou a ter. Construiu uma moradia que, passados alguns anos, acabou por vender, já que, para passar uns dias de férias, no Verão, “ a casa da minha mãe basta”. A opção foi realizar dinheiro para, sim, fazer uma casa no sul de França. “É por lá que acabarei os últimos dias da minha vida. Tenho lá o filho, os netos, e eles nunca de lá virão, apesar de também virem cá passar uns dias de férias”. Até porque não vê vantagens algumas num regresso. “Então, cá é tudo tão caro…. Impostos, luz, água, as mercearias, os carros, fogo, sei lá. Pelo que vejo, lá vivemos melhor. Ganhamos mais e o custo de vida não é tão grande”. O filho ainda fala português, embora esteja casado com uma cidadã francesa. Já os netos, não falam, mas percebem tudo. “É sempre bom que pelo menos percebam a nossa língua. Em casa vamos falando para eles também aprenderem” frisa.

Já Vítor adora vir a Portugal. Mas também não pensa voltar para cá em definitivo. “Não. É lá que trabalho, ganho bem, tenho uma vida boa e cá, da maneira que isto está…. De certeza que não volto. Venho cá em Agosto ver a malta”.

Francisco está radicado na Suíça. Também já se reformou, tem dois filhos lá, que já estão “bem empregados” e por isso, vai também manter-se por lá, apesar de ter algum património na sua aldeia, no concelho da Covilhã. “Tenho uma casa e um apartamento. A casa é para mim, quando cá venho no Verão. E o apartamento foi uma maneira de empregar algum dinheiro que lá ganhei. Está alugada” afirma. Aos 67 anos, ainda equaciona a hipótese de um dia “vir de todo” mas “só quando já for mesmo velhinho. Antes não” assegura.



“A vida cá é muito cara”



Já Mário Batista, 63 anos, natural da Erada, concelho da Covilhã, ainda tem ideia de regressar, um dia, à sua terra natal. “Penso em voltar, um dia a Portugal. Mas só quando já for muito cansativo andar a fazer viagens de França para cá “ assegura.

Muito comunicativo, Mário explica-nos como começou a sua aventura por terras gaulesas. “Fui de assalto, em 1967. Andei nove horas para lá chegar. Era muito difícil, passei vários obstáculos. Tinha apenas 18 anos, nunca tinha saído de casa sozinho, fui para junto de gente que não conhecia, uma língua estrangeira, mas só lá estive dois meses sem trabalhar. A 1 de Abril desse ano comecei a trabalhar numa empresa à qual estive sempre ligado e posso dizer que nunca conheci o desemprego” assegura. Mário foi funcionário de uma empresa de construção civil, que se dedicava a obras públicas, na qual esteve até Abril deste ano. Agora está já reformado. “Cheguei a ser o encarregado geral” afirma, orgulhoso. Todos os anos regressa à Erada, no Verão. “Agora tenho mais tempo, é possível que venha mais vezes” afirma. A sua estada em França, na zona de Paris, apenas foi interrompida em 1970, quando teve que regressar para efectuar o serviço militar. “Fui para o Ultramar. Andei 24 meses na Guiné. Foi nessa altura que conheci a minha esposa” afirma. Do casamento, com uma jovem de Cortes do Meio, nasceram dois filhos, um rapaz e uma rapariga, que apesar de terem nascido em França, também eles vêm todos os anos à Erada. “Sim, costumam vir. Mas a vida deles é lá” afirma Mário.

Sobre o País que cá encontrou, Mário diz que vê muita gente, em centros comerciais, “mas só a ver. Comprar, nem por isso. Não se pode. A vida cá é muito cara. Não sei como é que as pessoas conseguem aqui viver. É preciso mesmo muita ginástica”