segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Grande Festa de Santo Antão

Hoje dia 16 de Abril realiza-se em Sortelha a festa de Santo Antão, a festa de maior relevo na freguesia.

Todos os residentes e muitos outros que aqui têm as suas raízes, embora morando fora, e até mesmo habitantes das aldeias vizinhas, fazem questão de estar presentes na festa de Santo Antão.

Logo pela manhã, com a chegada da banda de música, tem início a festa com a famosa alvorada de fogo de artifício. Terminada a alvorada, é a vez da banda, com os seus elementos devidamente fardados, como é da praxe entre as filarmónicas, dar o primeiro concerto tocando o chamado “toque da alvorada”. Seguidamente, a banda, acompanhada por alguns populares, que marcham ao ritmo da música, dá voltas às principais ruas da aldeia, ensaiando toques festivos como que a “espicaçar” as pessoas para o dia que acaba de despertar e que promete ser de verdadeira festa.

Terminada a volta pelas ruas, os músicos, levados pelos mordomos, vão tomar o café que, nesse dia, outra coisa não é senão uma refeição, para que, no dizer de alguns, eles possam soprar os seus instrumentos com forças redobradas.

Por volta do meio dia começa a celebração religiosa, que é a mola mestra de toda a festividade. A cerimónia inicia-se com uma longa e demorada procissão que percorre as ruas da Vila e depois prossegue pelo Arrabalde, indo dar a volta a uma pequena capela, chamada de Santa Catarina, após o que regressa à Igreja Paroquial, onde seguidamente tem início a celebração da Santa Missa.

Esta missa é celebrada pelo pároco da freguesia, coadjuvado por dois sacerdotes, um dos quais faz o Sermão, enaltecendo as qualidades do Santo Padroeiro, Stº Antão. No final da missa, logo as pessoas comentam cá fora no adro da igreja as qualidades oratórias do sacerdote pregador: uns dizem que o pregador era tão bom que “até fez chorar as mulheres”, outros dizem que “falou muito bem” e outros ainda, em resposta  aos que dizem que falou bem afirmam: “ se fosse o pastor cá da terra a falar assim é que era admiração, agora o senhor padre não admira nada”.

Com esta frase e outras de idêntico teor, fica bem demonstrado o juízo de valor que se faz do padre, ele é o homem que sabe, isto explica em parte o modo de viver e sentir desta gente e a sua afeição pelas práticas religiosas e respeito pelo sagrado.

Antigamente, há trinta ou quarenta anos, os lavradores, não só de Sortelha mas também de todas as anexas, tinham o costume de enfeitarem os animais, sobretudo bovinos e ovinos e com eles participavam na festa, integrando-se na procissão, para que o Sto. Antão, padroeiro dos lavradores, lhes desse a protecção para os seus gados.

No momento oportuno, alguns pastores, correndo em frente dos rebanhos, faziam, segundo contam os mais antigos, um cerco à capela de Santa Catarina com os rebanhos, colocando as ovelhas a correr umas atrás das outras. O pastor começava a correr na frente das ovelhas em volta da capela e logo que ele atingia as que seguiam na cauda do rebanho, estava fechado o cerco e nesse momento ele retirava-se para trás de alguém e as ovelhas, assim, corriam ininterruptamente umas atrás das outras até que o pastor se colocasse de novo no meio delas e lhes interrompesse a marcha.

Os lavradores que se deslocavam das aldeias anexas e das quintas, faziam-no muitas vezes em carros de bois e carroças, as quais enfeitavam com ramos de flores da época.

Alusivas a este facto apareceram algumas quadras que o povo canta ao Stº Antão, entre as quais se destaca a seguinte:

“ Viva o nosso Santo Antão

Qu’ é o rei dos lavradores

Levam carros e carroças

Carregadinhos de fe..lores

Esta festa é, sem dúvida, a de maior importância na freguesia de Sortelha. O facto de a gente desta região se dedicar à agricultura e dado que o Sto Antão é o padroeiro dos agricultores, explica a razão da importância dada a esta festa. O Santo que é representado encostado a um cajado, junto à parte inferior do qual está um leitão, explica a razão pela qual muitas pessoas prometem ao Santo Antão uma chouriça se, durante o ano tiverem sorte com o suíno que criam para a matança.  Havia quem prometesse uma “tchouriça” da medida do pescoço do “marrano” e por isso, no dia da matança mediam à volta do pescoço do bicho para poderem fazer uma mesmo à media.

Relacionado com o facto de Stº Antão ser representado com o leitão junto a ele, está o aparecimento de alguns versos como este:

Ó dim dim

Ó dim dim

Ó dim dão

Vivó nosso Stº Antão

Mais abaixo mais acima

Mais abixo tem um leitão.

Para mostrar a sua fé, e às vezes por uma questão de brio pessoal, o povo primava até poucos anos nas ofertas que dava ao seu padroeiro. As  ofertas compunham-se de grandes tabuleiros, às vezes tampas de arcas, por serem de maior dimensão, repletas de alimentos: cabritos, leitões, borregos, vinhos, doces, filhós, frutas, bebidas várias, etc

Havia também o hábito de colocar no meio da oferta um ramo de árvore enfeitado, no qual eram colocadas também algumas notas. Este hábito foi-se perdendo, dado que as ofertas, numa boa parte das vezes, não tinham compradores por parte do público, pois os que lá moravam não as arrematavam e os que vinham de fora não queriam gastar tanto dinheiro.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Jogo do Vintém

Trata-se de um jogo de lançamento de moedas para uma superfície de madeira, que em muitas localidades da Beira tem o nome de raiola, raioula ou arraioula.
Jogava-se nas tardes de domingo ou à noite, na taberna do Ti Ildefonso.
As moedas, os vinténs, previamente picadas com um cinzel, ficando os respetivos bordos com incisões e irregularidades que as faziam segurar na madeira, eram lançadas para um dos bancos da taberna ou para uma tábua.
O objetivo do vintém, jogado em termos individuais ou coletivos, por homens e rapazes mais velhos, era colocar a moeda sobre a raia transversal desenhada na superfície de jogo ou o mais próximo possível.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Caminho velho que vai continuar a ser velho

Porque os tempos são de crise, a Troika anda por aí e ontem foi dia 1 de Abril o caminho velho ainda não será desta que vai ser alcatroado. Contudo é preciso é não desanimar porque novas eleições eleitorais virão e então nessa altura sim...vai ser mais uma vez uma promessa que talvez um dia seja mesmo uma realidade...

domingo, 1 de abril de 2012

Caminho velho que vai ser caminho novo

Segundo fontes da Câmara municipal do Sabugal o caminho velho entre Quarta-Feira e Sortelha vai ser alargado e alcatroado já no próximo mês de Maio. A obra terá um custo total bastante elevado no entanto ainda não é conhecido o montante. A empresa que ganhou o concurso para execução dos trabalhos será, segundo a mesma fonte, uma empresa da região.
Esperemos que os trabalhos sejam breves, pois esta é uma obra pela qual o povo da Quarta-Feira muito tem esperado.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Na Nossa Aldeia...

Na Quarta-Feira o clima é de autêntico verão, pois as temperaturas são elevadas para a época, o céu não tem nuvens e a chuva então, é que não dá sinal, apesar de todos falarem nela e estarem de acordo que faz cá falta, pois a agricultura sem chuva não é fácil e não é produtiva.
Mas nem só o tempo quente faz lembrar o verão, pois também cá estão alguns dos nossos amigos emigrantes que habitualmente vêm nos meses de Julho e Agosto, pois a saudade abre-lhes o apetite e o longe parece-lhes perto e cá estão o Manuel Firmino, o Joaquim e a Alice, a Mercês e o Caetano e ao que parece o Ilídio do  Ti Zé Marques e a sua família também cá estarão para “saborear”  a Páscoa juntamente com os seus familiares na sua nova casa que por sinal ficou bem bonita.
Aos que já chegaram e aos que tencionam vir, que sejam bem vindos porque a Quarta-Feira fica sempre mais airosa com a chegada de cada um dos seus filhos, pois aqui todos têm uma identidade própria e todos fazem falta porque a Quarta-Feira é dos Quartafeirenses que perto ou longe não esquecem a terra em que um dia nasceram e certamente foram felizes.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Jogo das Escondidas

Era um exercício habitual entre as crianças da Quarta-Feira. 
Um “ficava a contar” ou “a dormir” num determinado local, virado para uma parede e tapando os olhos com a mão.
Os outros iam esconder-se nas redondezas.
Depois de contar até 31 dizia em voz alta:
- À reronda à reronda quem não s’ escondeu que s’ esconda qu’ eu já aí vou.
Depois ia “à procura” dos outros e, quando encontrasse o primeiro, este ficaria “ a contar “ no próximo jogo.
Para escolherem o que ficava a dormir, recorriam à seguinte lengalenga:

Pico pico salanico

Salta a pulga p’ró penico

Do penico p’rá balança

Disse o rei que fosse à França



Os cavalos a correr

As meninas ‘aprender

Qual será a mais bonita

Que se vai esconder ?

quinta-feira, 22 de março de 2012

Mudança de hora


A primavera chegou esta semana, mas a hora já vai ser de verão, pois no próximo domingo dia 25 de Março o relógio deve ser adiantado 60 minutos. 

quarta-feira, 21 de março de 2012


Sou Beirão sou da Beira
E feliz nela me vejo
Na aldeia do meu desejo
Pois nasci na Quarta-Feira

É bela a minha aldeia
Toda ela é alegria
Nela se recolhe e semeia
Amizade e simpatia.

As gentes de cá naturais
São pessoas de valor
Dão exemplos aos demais
De respeito e de amor.

Somos do trabalho amantes
Na luta do dia a dia
Respeitadores bem falantes
Sinceros, com simpatia.

Quem por esta aldeia passa
Contempla seu casario
Parando ouve uma chalaça
Uma anedota ou um elogio.

Talvez até possa fazer
Amizade ou simpatia
Com alguém que gosta de ser
Um fazedor de alegria.

Por mais que pudesse escrever
Sobre esta aldeia tão bela
Não daria a conhecer
Como é belo viver nela.

Quem teve a sorte de nascer
Na Quarta-Feira, como eu
Só esse pode dizer
O que nesta aldeia se aprendeu.

Deus ajude a Quarta-Feira
E as gentes que nela estão
Onde me sinto e me vejo
Um alegre e sincero Beirão



segunda-feira, 19 de março de 2012

A Panca

Era praticado há 50 anos no Terreiro junto ao forno, por homens e rapazes. Utilizavam um tronco de madeira com 2,5 a 3 metros de comprimento, que levantavam do solo, apoiavam num dos ombros e sustentavam por uma das pontas, com as duas mãos, geralmente com os dedos entrançados.
Após uma grande flexão dos membros inferiores, levantavam energicamente a bacia e os braços, impulsionando a panca para o ar e para a frente.

O Objetivo do jogo era conseguir arremessar a panca o mais longe possível, a partir da raia.
Apenas eram considerados válidos os lançamentos nos quais o tronco de madeira, após recepção ao solo, tombasse para o lado ou para a frente, não valendo aqueles em que a panca caísse para trás.
Hoje dia 19 de Março é Dia do Pai, sendo também dia de São José por isso aqui fica uma homenagem a todos os pais  Quartafeirenses... Que tenham um bom dia.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Mais uma descendente da Quarta-Feira

No passado dia 13 de Março nasceu em Lisboa a menina Leonor filha de David Leal, neta de Manuel Júlio e Maria da Conceição e Bisneta de Olívia Lourenço. Felicidades e parabéns aos pais e avós.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A Primavera está a chegar...

A Primavera pode ser vista como uma estação de transição, representando o tempo da despedida das frias paisagens e de preparação para entrar nos tons quentes de Verão. Na Quarta-Feira as flores e a ladeira em tom  verde são a marca principal da Primavera. As paisagens da nossa aldeia enfeitam-se para nos mostrar que um novo ciclo está prestes a chegar.
Nesta época vai embora o gelo, o cinza, o tempo de recolhimento  e a natureza revela-se multicolorida.
A Primavera está a chegar com a promessa de luz, de brilho, de aromas renovados, de cantos de pássaros a namorar no alto das árvores, de vento que leva o pólen para fertilizar os campos e de borboletas que voam e dão cor à vida... Primavera à maneira é na Quarta-Feira.




terça-feira, 13 de março de 2012

Jogo do Ferro

É, tal como a barra, um jogo de lançamento e força. Todavia, nesta prática era utilizada uma barra de ferro afiada numa ou nas duas pontas, instrumento habitual nas lojas dos agricultores. O lançamento era feito com uma técnica semelhante à da barra de pedra, sendo o ferro agarrado pelo meio, em posição quase vertical e projectado para a frente após algumas torções do tronco e rotações do braço.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ovelhas que dão leite para o bom queijo que se faz na Quarta-Feira

O jogo da Barra

Trata-se de uma demonstração de força, na qual se exercitavam os rapazes e homens, surgindo o jogo, a maior parte das vezes, como resposta a um desafio lançado por um "forçalhudo", amigo ou familiar.
Escolhida a pedra, geralmente de tamanho médio, 5 a 7 Kg de peso, os participantes juntavam-se no terreiro ou na estrada e, da risca ou raia tentavam projetar a pedra o mais longe possível, sustentando-a por baixo, com a palma da mão, e arremessando-a após uma torção do tronco e braço de lançamento.
Os  melhores lançamentos são marcados no solo, através de pequenas pedras ou paus colocados no sítio onde a pedra toca o solo.
O número de lançamentos que cada participante podia realizar era previamente combinado ou, noutros casos, o jogo terminava quando os atiradores o entendessem, sendo considerado vencedor o que tivesse obtido a melhor marca. Este jogo deixou de se praticar regularmente na Quarta-Feira há meio século.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Poema enviado pelo nosso conterrâneo Aníbal Gonçalves emigrante em França ( filho de José Maria Gonçalves e de Ana Maria mais conhecida por Ana Santa )

HOMNAGEM À MINHA ALDEIA (QUARTA FEIRA)



Na terra do meu berço
Modesta generosa e calma
Aprendi a rezar o terço
E a educar a minha alma

Nesta terra nasci
Nesta terra me criei
Nesta terra sofri
Nesta terra brinquei
Nesta terra aprendi
Por esta serra chorei

Quando saí da minha terra amada
Olhei para trás chorando
Pois era tudo o que eu mais adorava
E era o que ia deixando

O teu cheiro a mangerico
Que nos inspirava tanta alegria
Com o qual eu me identifico
Que hoje recordo com nostalgia

Bonita por natureza
Terra de encanto e magia
Não tem fim  tua beleza
É um povo de incontestável simpatia

O teu nome de Quarta Feira
De origem desconhecida
Simpática e feiticeira
Para todos nós a mais querida

É tão grande a tua beleza
Como a tua dimensão generosa
Não é por acaso com certeza
Que és também conhecida por Sintra Mimosa

A tua vista panorâmica com perfume a rosmaninho
Que não existe outra igual
És o simbolo do amor saudade e carinho
E o cantinho mais lindo de Portugal

Estou vendo a minha modesta casinha
Cercada de árvores, flores e aves
Hoje tão triste e tão sozinha
Que me traz imensas saudades

Lindas noites de luar
Vinham a abrilhantar a água
Meu Deus que é tão bom sonhar
Maezinha que te deixamos com tanta magoa

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Jogo das Bolas

Embora constitua um passatempo habitual nos meses de Verão, este jogo foi importado de França pelos nossos emigrantes, sendo vulgarmente conhecido por pétanque. Hoje já pouco se joga mas outrora jogava-se junto ao Largo da Escola.
É exclusivamente jogado por homens ou rapazes, individualmente ou em duas ou três equipas, com dois elementos cada.
Os materiais de jogo são: uma pequena bola de madeira ( com cerca de 3,5 cm de diâmetro ),  o cochonet, e duas bolas de metal, do tamanho das bolas utilizadas no ténis, por cada jogador. As bolas pertencentes a cada um dos participantes distinguem-se das restantes por meio de figuras gravadas na superfície esférica.
Após sorteio ou acordo prévio, um dos jogadores atira o cochonet para a frente ( geralmente para locais mais distantes, 5 a 10 metros da linha de lançamento ou raia ). Em seguida, o mesmo jogador lança a primeira bola em direcção ao pequeno alvo esférico, procurando colocá-lo o mais junto possível do cochonet, jogando alternadamente, todos os restantes.
Um jogo termina aos 13 pontos, vencendo a partida o jogador ou a equipa que prefizer dois pontos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O jogo da Malha na Q.F

Tal como acontecia na maioria das aldeias, jogava-se com malhas de ferro redondas, duas por cada equipa, mais na primavera e no verão.

Os objectos de jogo eram quatro malhas e dois pinos de madeira cilíndricos e pontiagudos do lado superior.

O objectivo do jogo é o derrube dos pinos ou a colocação das malhas o mais próximo possível deles. É um jogo de homens e rapazes disputado entre duas equipas de dois elementos.

O jogo termina aos trinta pontos, valendo cada derrube 3 pontos.

Considera-se vencedora a equipa que ganhar duas mãos, isto é, dois jogos.

sábado, 3 de março de 2012

Os jogos tradicionais na Quarta-Feira


À semelhança de muitas outras aldeias também na Quarta-Feira os jogos tradicionais eram uma forma de entretenimento. Os jogos que mais se praticavam  eram o jogo da barra, do vintém ou raiola, a malha e outros.

Fruto das influências exercidas pelos emigrantes residentes em França, também se praticava, especialmente no verão, o jogo das bolas ou pétanque.

Na segunda-feira a seguir às festas religiosas de Maio ou de Agosto costumava-se jogar o jogo do galo, com algumas variações.

Os locais onde se praticavam os jogos eram o Terreiro e o

Largo da Escola.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Quaresma


Em oposição à época carnavalesca, com as suas mascaradas e extravagâncias de todo o género, a Quaresma era outrora uma época do calendário propícia à meditação, jejuns e abstinências, que o povo da Quarta-Feira, apesar das mudanças operadas na sociedade, ainda respeita de um modo geral.

Durante o período quaresmal, por ser tempo de meditação e penitência, as pessoas da nossa aldeia não se atreviam sequer a cantar ou assobiar, por considerarem ser pecado. Os bailes, principal divertimento nas tardes de domingo, durante este tempo era coisa em que nem se falava. Apesar de a Quarta-Feira ser terra de acordeonistas, durante este período o acordeão não se voltava a ouvir.

Em substituição da música, considerada coisa profana, proibida na Quaresma, havia em Sortelha o costume de cantar  à noite cânticos religiosos, cumprindo uma tradição ali existente de há longos anos a que o povo chamava “o encomendar das almas”. Estes cânticos realizavam-se em certas noites da Quaresma e tinham por palco dois  lugares na vila, um era nas muralhas do castelo e o outro era encostado à parte norte das muralhas, no lugar denominado “cofre”. Por volta da meia noite, quando tudo dormia e o silêncio era total, apenas quebrado pelo ladrar de algum cão que sentia os passos dos “cantadores”, ou por algum mocho ou coruja empoleirados no alto das muralhas, ao toque de algumas badaladas compassadas no sino, os grupos, compostos por homens embrulhados nos seus capotes escuros e mulheres com xailes pretos tapando a cabeça, ocupando os locais atrás referidos, começavam os cânticos. As pessoas que dormiam acordavam sobressaltadas, assustadas por aquelas vozes dolentes que metiam medo, tanto pelas letras como pela música das canções, criando um ambiente medonho que fazia lembrar os mortos.

Segundo contam os mais antigos, um dos grupos iniciava os cânticos, o outro respondia e assim alternadamente, frente a frente cada um cantava os versos adequados àquele ritual, dos quais aqui ficam alguns exemplos:
 

Oh benditas almas santas
Eu aqui venho rezar
Pagai-me esta devoção
Se acaso um dia penar.

Olha cristão que és terra
Lembra-te que hás-de morrer
Hás-de dar contas a Deus
Do teu bom ou mau viver.

Olha não caias na culpa
Como a calma na geada
Que te andam a tentar
Os três inimigos da terra.

O primeiro é o mundo
Nele andamos a pecar
O segundo é o demónio
Que nos anda a tentar
O terceiro é a carne
Nela havemos de acabar.
  
À porta das almas santas
Bate Deus a toda a hora
Almas santas lhe respondem
Meu Senhor que quereis agora.



Atualmente a Quaresma já não tem na Quarta-Feira nem em Sortelha o significado que teve noutros tempos, é vivida como um tempo vulgar, em que têm lugar bailes e outros divertimentos que noutros tempos eram impensáveis.

Os cânticos que aqui foram referidos, também há já muitos anos que não se praticam. Aquilo que se mantém e está ainda enraizado na  mente das gentes da Quarta-Feira e de um modo geral na freguesia de Sortelha é a abstinência de carne nas sextas-feiras da Quaresma e o jejum na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa, que ainda são observados e respeitados pela maioria da população.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Parabéns ao Ti Felismino e à Ti Delfina

Em primeiro lugar aqui ficam os parabéns a este casal da Quarta-Feira pelos 60 anos de casamento que comemoraram no passado dia 14 de Fevereiro, juntamente com os seus filhos, netos, genros e nora.

A felicidade que este amor de mais de meio século irradia é algo extraordinário, pois nota-se que foi construído no dia a dia com base num esforço solidário e comum que atualmente é cada vez mais raro, visto que nem todos os casais são capazes de enfrentar com esperança e dignidade as dificuldades que surgem, naturalmente, ao longo de uma convivência tão extensa.
O Ti Felismino e a Ti Delfina souberam transformar os obstáculos do caminho em pedras preciosas e, por isso, são um exemplo de amor e união e até um exemplo de vida.
Que continuem por muitos e longos anos a ser a companhia um do outro.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Recolha das Janeiras na Quarta-Feira

Hoje dia 18 de Fevereiro foi feito o peditório das janeiras e amanhã dia 19 serão arrematadas em hasta pública à saída da missa as chouriças e as restantes ofertas, cujo valor reverterá a favor da festa de Nossa Senhora do Desterro de 2013.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Faleceu o Senhor Domingos Pires

Hoje, dia 4 de Fevereiro faleceu o senhor Domingos Pires com 84 anos de idade. Nasceu no dia 13/07/1927, era filho de Manuel Pires e Joaquina Leal, casado com Virginia de Jesus. Era irmão de Amadeu Pires, José Pires e António Pires. Paz à sua alma.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Óh frio vai-te embora!!!!

Na Quarta-Feira o frio é de rachar, os tanques e as zonas sombrias têm muito caramelo e as chaminés não param de deitar fumo. Parece que o inverno só agora está a chegar. 
Durante a noite as temperaturas são negativas e durante o dia também são bastante baixas.
Ainda assim a Quarta-Feira é encantadora, pois aqui o lume e o aconchego das lareiras tem outro "sabor" que certamanete os potentes sistemas de aquecimento das cidades não têm.
É verdade que não há inverno sem frio e gelo mas na Quarta-Feira também não há casas sem lareira...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Dia 4 de Fevereiro os Guardiões da Lua apresentam:


Texto de João Reis
Encenação e cenografia de João Reis
Actores: Realizada por quinze actores do grupo de teatro "Guardiões da Lua"
Comédia

         Sinopse da peça "Os filhos do vento e da lua":

Uma família itinerante de ciganos, chega de carroça a uma aldeia onde monta o acampamento para descontentamento dos habitantes locais. Apesar da má fama que têm e da rejeição, eles só querem sobreviver. Pedem esmola (as mulheres e as crianças) e o cigano faz trabalhos em verga para arranjarem dinheiro para o casamento da filha prometida, Carmem e Rafael. Também se vão apropriando, aqui e alem do alheio, o que lhes traz problemas com os guardas Birra e Ramiro.
Entretanto a filha Carmem, sonhadora que deixar a vida de cigana e renega a sua raça fugindo com um rapaz, Henrique, filho do guarda Ramiro. Na noite em que a mãe Rafael e a “Guardiã” matriarca, Esmeralda, vêm ao acampamento a combinar a data do casamento e a “esminar” a Carmem, ver se ela tem tudo no sítio para se casar, foge com o Henrique para Espanha. Assim é expulsa pela matriarca da raça cigana. A severidade da guardiã dos costumes e tradições da raça cigana não tem outro remédio senão anular o casamento e renega-la para sempre da sua raça. Entretanto o pai de Henrique, o guarda Ramiro, vem ao acampamento procurar o filho e tirar satisfações dos ciganos e quando todos os ciganos se vão precipitar para cima dele… ele vê a sua paixão de juventude. Arrebatados os dois e para surpresa de todos ela não é mais que a guardiã da moral, dos costumes e tradições dos ciganos; a matriarca Esmeralda.  



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Vamos todos ajudar o Aníbal !




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A Presidência da República emitiu esta sexta-feira à noite uma nota a agradecer ao indivíduo que pagou um bolo de arroz e um sumo ao Presidente, depois de o encontrar em Santo Tirso, à porta de uma pastelaria.

Cavaco estava apenas de passagem para uma inauguração, mas o indivíduo tinha acabado de ver nas notícias as declarações do Presidente, onde lamentou que o que ganha não chega para fazer face às despesas.

«Tinha acabado de ver nas notícias e quando saio à rua, dou de caras com ele. Disse-lhe logo que dinheiro não dava, porque depois ele gastava tudo no BPN, mas aceitei pagar-lhe um bolo e um sumo», relata o indivíduo: «Os olhos do Presidente arregalaram e só me perguntou se o sumo podia ser néctar.»

Na nota da Presidência da República pode ler-se que «o Presidente da República ficou muito comovido com a oferta daquele cidadão e com o tamanho do bolo de arroz, que chegou para a Primeira Dama».


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Primeiro Aniversário do Blog da Quarta-Feira

Hoje dia 26 de Janeiro o Blog da nossa aldeia faz um ano, é ainda muito jovem e simples mas é um ponto de união dos Quartafeirenses que perto ou longe não esquecem a terra onde estão as memórias da sua infância.
Aos leitores e visitantes que gostam aqui fica a promessa de, sempre que possível, continuar a colocar assuntos relacionados com a nossa aldeia, aos que não gostam…que tenham paciência.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Carnaval da Nossa Aldeia

O Carnaval ou Entrudo, é desde há longa data, uma das festividades mais comemoradas na Quarta Feira. Nesse dia a refeição principal é constituída por carne de porco, especialmente os pés, orelhas, focinho e outra carne da cabeça sem esquecer o rabo. Quando o porco não tem rabo, por qualquer razão, há logo na matança quem diga: “faz falta para dia de Entrudo”.
Na Quarta Feira, semanas ou meses antes é costume juntar-se um grupo de rapazes para distribuírem entre eles os papeis que cada um vai desempenhar na chamada “Fama do Entrudo”.
Mas o que é afinal a “Fama do Entrudo” ou simplesmente a “Fama”, como vulgarmente aqui é chamada?
A “Fama” é então um conjunto de quadras, elaboradas por esse tal grupo de rapazes, em que se conta a vida do “Santo Entrudo” desde o seu nascimento, engenhosamente inventado, o seu percurso desde longa distância, durante o qual arranja “esposa”, com peripécias de toda a ordem até à sua chegada. Essa rapaziada dedica-se à investigação dos pontos fracos das pessoas, especialmente das raparigas e sua publicação, para vergonha das mesmas, “rematando” no final com avisos para que os fracassos que aconteceram não voltem a suceder, prometendo nesse caso vir a denunciá-las no ano seguinte.
Para dar corpo a todo o cerimonial, os rapazes reúnem-se à noite para comporem a sua “obra”. No meio do grupo há sempre alguém com maior capacidade de imaginação e com uma certa veia poética, que se encarrega da redação da fama, sempre em quadras, enquanto os outros vão sugerindo ideias e contando factos de que tenham conhecimento, para serem postos a descoberto.
A Fama começa por narrar, sempre na primeira pessoa, de um modo grotesco, o nascimento do Entrudo, a sua vida sempre difícil e dramática com acontecimentos de toda a ordem. Seguidamente, trata da viagem, também ela cheia de dificuldades, desde o meio de transporte utilizado até à fome a que por vezes faz alusão, à dormida, geralmente no cortelho do “marrano” ou numa “hospedaria” de classe semelhante. Durante a viagem, ele vai arranjar maneira de uma forma ardilosa, de “roubar”, a filha a alguém que seja já pessoa de conhecimento do público, de uma aldeia vizinha, para dar mais enfase ao espectáculo, sobretudo quando o próprio está presente. Este, meneando a cabeça, esboça quase sempre frases do tipo “És munta burro”, mas nem por isso deixa de rir com os factos narrados a seu respeito, pois como aqui se diz: “ É Carnaval e ninguém leva a mal”.
Seguidamente, já acompanhado da “mulher”, prossegue a viagem sempre caracterizada por acontecimentos rocambolescos, entre os quais tem de roubar um burro para si e outro para a “esposa”. Uma vez em posse de “boas montadas”, adquiridas das mais variadas formas, mas em que o Entrudo prega sempre qualquer partida ao dono, o “casal” prossegue então a viagem até ao local do destino, neste caso a nossa Quarta Feira.
Ao chegar à aldeia, entra em contacto com alguém, a quem vai pedir alguns préstimos, como sejam ferrar o burro, fazer a barba, “dar um copo” etc.. Nestes casos vai pedir, com certa graça para todos, a um ferreiro, por exemplo, para curar o burro, e é capaz de pedir ao veterinário para lho ferrar e assim por diante, procurando de qualquer modo que o povo ria a plenos pulmões.
Após ter feito a barba, ferrado o burro, maquilhagem à esposa e sabe-se lá o quê, ele aí está a apresentar-se ao publico em tom ameaçador, referindo-se aos avisos que fizera no ano anterior, os quais foram desrespeitados. Eis a razão da sua presença ali, para os denunciar de novo, começando nesse momento as denuncias dos factos que, segundo ele, aconteceram durante o ano, embora sejam apenas fruto da imaginação do autor. Este declara que esses acontecimentos são verídicos e têm de ser castigados, com a infâmia da denúncia em praça pública.
Depois de “desfolhar todo o reportório”, volta a ameaçar os ouvintes, faz as despedidas e vai-se embora, disparando para o ar, com uma caçadeira, dois tiros de pólvora seca.
Com a finalidade de montarem todo o cerimonial, no dia de Entrudo os rapazes pedem dois burros, que são devidamente enfeitados, um para o Entrudo e outro para a “esposa”.
Num lugar escondido, onde apenas a pequenada gosta de ir espreitar, fazem-se todos os preparativos.
O Entrudo, com a cara pintada a preceito mas sem a máscara, vem montado num dos burros, trazendo na mão o “livro da fama”. A mulher, do meso modo, devidamente caracterizada a preceito e maquilhada, pois de um rapaz se trata, vem também montada noutro burro, geralmente bordando uma pequena peça de linho. Os dois burros são guiados por dois homens, vestindo uniformes militares e trazendo cada um ao ombro a sua arma, para imporem à multidão todo o respeito que o ato merece.
  
 

  
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

As Festas na Freguesia de Sortelha

O povo de Sortelha possui tradições muito ligadas à religião, pelo que a maior parte das suas festas são de carácter religioso.
Geralmente as festas são compostas de duas partes bem distintas: uma primeira parte religiosa, em que é festejado cada um dos santos da terra ( Stº Antão, Stº António, etc ) com as respectivas cerimónias religiosas, entre as quais as tradicionais procissões e uma outra parte profana, nas tardes do dia da festa e também no dia seguinte em que o povo dá largas à sua alegria e festeja das mais variadas maneiras aquilo a que chama “ a segunda feira da festa.
É neste dia que têm lugar as actividades de carácter lúdico. Para além da missa, que costuma ser celebrada por volta do meio dia, não há nesse dia qualquer outra ocupação que não seja o divertimento. Após o almoço as pessoas vão-se juntando nos cafés ou nos lugares onde se costuma realizar o tradicional baile. Como o dia é de festa e não há nada para fazer, existe sempre alguém que convida um grupo para um jogo, ideia que geralmente é bem aceite pelos presentes. Decide-se qual a modalidade, se não foi previamente referida no acto do convite e o jogo inicia-se. Um dos jogos que goza de preferência dos habitantes de Sortelha nestas ocasiões é o jogo da malha, embora se joguem outros, como a raiola ou vintém, a pétanque ( petanca ), o jogo do galo, o jogo do pau ensebado, as corridas de burros, as corridas de sacos, etc.
Entretanto, enquanto os mais velhos e as crianças jogam, a juventude, rapazes e raparigas festejam a seu modo aquele dia de folga por que tanto anseiam ao longo do ano, abrilhantando com os seus trajes domingueiros e sobretudo com muita alegria, o grandioso baile que nessa data é acontecimento de grande importância local.
Ao som de um tocador ou de um conjunto musical, outrora ao som da concertina, o largo enche-se de gente. É ali que rapazes e raparigas tantas vezes iniciam os seus namoricos, dado que o momento é de euforia festiva e proporciona uma certa desinibição necessária para se lançarem uns belos piropos ou umas declarações de amor.
Geralmente também não faltam nas varandas circundantes e noutros lugares propícios à observação, espectadores atentos, principalmente mulheres, com maior espírito de atenção a estas coisas que vão comentando os comportamentos dos pares que animam o espectáculo do baile. Nada lhes escapa e se alguém dança com o mesmo par várias vezes, torna-se logo alvo da sua observação e há logo alguém que diz que já namoram: - “Eles andam muito apitchados”.
De um modo geral, salvo algumas excepções, é assim que decorrem os dias de festa em Sortelha e nas suas anexas.
As principais festas da freguesia são: as festa de Stº Antão e a de Stº António em Sortelha, a festa da Senhora do Desterro na Quarta-Feira, pois a da Senhora de Fátima que costumava ser em Maio já não se tem realizado, a festa da Senhora da Guia nas Caldeirinhas, a festa de Stª Bárbara no Dirão da Rua e a festa da Senhora de Fátima celebrada na Azenha e na Ribeira da Nave.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Na Quarta-Feira a chuva é pouca e o frio é muito

À semelhança do último Outono também o Inverno está a ser muito pobre em chuva.
Ao que parece, o que veio mesmo para ficar foi o frio, pois durante a noite e de madrugada as temperuras são negativas. O que vale é que na Quarta-Feira a lenha é de boa qualidade!!!