A aldeia de Quarta-Feira acorda devagar, como quem sabe que o tempo aqui não manda — pede licença. As casas guardam histórias nas paredes caiadas, e cada pedra parece conhecer o nome de quem passa. O silêncio não é vazio: é feito de passos antigos, de vozes baixas à porta e do vento que atravessa os campos como um recado suave.
Na Quarta-Feira, o dia tem cheiro de terra quente e pão acabado de sair do forno. As manhãs são claras, lavadas de sol, e as tardes estendem-se em sombras compridas, onde se contam memórias sem pressa. Há uma sabedoria simples no modo como tudo acontece: o sino marca as horas, mas quem decide o ritmo é o coração da aldeia.
As pessoas conhecem-se pelo nome e pelo olhar. Cumprimentam-se com gestos pequenos, mas cheios de sentido. Aqui, a vida não corre — caminha. E nesse caminhar tranquilo, a Quarta-Feira ensina que há beleza na repetição, força na simplicidade e poesia nos dias comuns.
Quando a noite cai, a aldeia acende poucas luzes, suficientes para iluminar o essencial. O céu aproxima-se, estrelado, como se também quisesse ficar. E quem passa pela Quarta-Feira leva consigo a sensação rara de ter estado num lugar onde o mundo ainda sabe respirar.
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